Opositores de região litorânea propõem separação do Quênia após eleições

Nairóbi, 3 nov (EFE).- Vários líderes políticos da região litorânea do Quênia que integram a oposição propuseram nesta sexta-feira a secessão dos seis condados do litoral como protesto contra a reeleição do presidente Uhuru Kenyatta, informou a imprensa local.

Entre os políticos se destacam o governador do condado de Mombaça - onde se situa a cidade homônima, a segunda maior do país e motor econômico graças ao porto, o mais importante de toda a África Oriental -, Hassan Joho; o do condado de Kilifi, Amason Kingi, além de 12 deputados e quatro senadores.

O grupo anunciou que começou as negociações para conseguir a independência, meta para a qual indicaram que utilizarão "todos os meios legais, tanto locais como internacionais", aponta o jornal "Daily Nation".

Os opositores afirmam que o objetivo é alcançar um maior desenvolvimento para a região e que realizarão uma série de encontros com "todas as pessoas da região para que vejam que a iniciativa não é impulsionada apenas pelos cargos eleitos".

"A missão para conseguir a secessão do povo do litoral acaba de começar. Começou um processo de consulta para tornar o nosso sonho realidade", comentou Joho.

Um dos deputados presentes, Owen Baya, que liderará o movimento separatista na região, anunciou que está preparando uma proposta de independência que apresentará ao Parlamento nacional.

A província litorânea, situada no leste do Quênia, compreende os seis condados de Mombaça, Kwale, Kilifi, Rio Tana, Lamu e Taita-Taveta, com uma população de mais de 3,3 milhões de habitantes.

Nesta região já existe um movimento separatista, o ilegalizado Conselho Republicano de Mombaça (MRC), que é acusado de vários atentados com mortes, entre eles alguns contra agentes da polícia, funcionários do governo e integrantes da Comissão Eleitoral nacional.

Os políticos que defenderão o independentismo na região a partir de agora imediatamente tomaram distância das atividades do MRC.

"Não vamos utilizar nenhum meio ilegal. Se alguém tentar nos vincular a algum grupo, não terá nenhum êxito", esclareceu Joho.

Este impulso separatista surge como resposta à vitória de Kenyatta na repetição das eleições presidenciais do dia 26 de outubro, nas quais obteve 98% dos votos após o boicote da oposição, que provocou uma queda da participação de 79,5% de agosto para 38,9%.

A principal coalizão opositora, a Super Aliança Nacional (NASA), boicotou a votação por considerar que a Comissão Eleitoral não tinha efetuado as reformas necessárias para garantir que não se repetissem as irregularidades que provocaram a anulação dos resultados das eleições do dia 8 de agosto.

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