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México vive caos e solidariedade em ano marcado por 2 terremotos

26/12/2017 18h32

Paola Martínez Castro.

Cidade do México, 26 dez (EFE).- O México sofreu em setembro dois fortes terremotos que causaram mais de 400 mortes, enormes perdas financeiras e uma reação popular de solidariedade que fez esquecer temporariamente os graves problemas de insegurança e corrupção que abalam o país.

Quase à meia-noite de 7 de setembro um violento tremor de magnitude 8,2 tornou-se o mais potente a ser registrado no país desde 1932 e causou a morte de 98 pessoas; 78 delas no estado de Oaxaca, 16 no de Chiapas e 4 no de Tabasco.

O istmo de Tehuantepec foi a região mais afetada pelo terremoto, que teve epicentro em frente à costa do estado de Chiapas e perto da cidade de Juchitán de Zaragoza, onde cerca de 40 pessoas morreram entre os escombros.

As feições desta cidade de Oaxaca e que tem aproximadamente 100 mil habitantes mudaram por completo em segundos. Nada menos que 70% das residências ficaram danificadas, e a população ainda ficou sem serviços básicos como água e luz.

Enquanto eram realizados trabalhos de resgate de sobreviventes, a ajuda começou a fluir a conta-gotas. O presidente Enrique Peña Nieto foi aos estados afetados e pôs ministros à disposição nos locais da tragédia.

A segurança foi reforçada com militares para proteger vítimas que se negavam a sair de suas casas parcialmente destruídas para evitar roubos e furtos.

As autoridades ainda calculavam danos e contavam mortos quando outro terremoto sacudiu o país em 19 de setembro, apenas duas horas e 14 minutos depois que a população fez uma simulação para lembrar os 32 anos de outro trágico tremor que deixou milhares de mortos na capital mexicana.

Embora o tremor tenha sido de magnitude 7,1, contra os 8,1 de 1985, foi sentido com grande força, já que o epicentro foi registrado nas divisas dos estados de Puebla e Morelos, a apenas 120 quilômetros da Cidade do México.

Em poucos minutos a capital do país ficou coberta de poeira. Era um anúncio da dimensão da tragédia. Foram derrubados 38 edifícios em partes diferentes da cidade, incluindo uma escola com dezenas de crianças do lado de dentro, e serviços de luz e água potável foram interrompidos em diversos bairros.

O tráfego ficou caótico em pouco tempo. Milhares de pessoas foram para as escolas de seus filhos ou suas residências, enquanto outras começaram a procurar por sobreviventes entre ruínas, em uma amostra de solidariedade que durou várias semanas.

Pelo menos 228 pessoas morreram na Cidade do México, mas o saldo final chegou a 369 se contabilizados os mortos nos estados de Morelos, Puebla, Guerrero, Oaxaca e México.

Cerca de 12 milhões de pessoas sofreram de alguma forma com os efeitos dos dois tremores, e 250 mil perderam suas residências, sendo que a maioria vive com familiares ou amigos, no melhor dos casos, ou em precários barracos, no pior.

Segundo dados oficiais, os terremotos causaram danos parciais ou totais em 184.000 moradias, a maioria em Chiapas e Oaxaca, onde a população se queixa que o fluxo de ajuda foi interrompido com o segundo terremoto, que desviou a atenção das autoridades para o centro do país.

Também foram afetados de alguma forma 14 mil lojas, 16 mil escolas e 1,8 mil edifícios em 11 estados com valor arqueológico, artístico e histórico.

Segundo Peña Nieto, cuja popularidade melhorou levemente após as prestações de apoio estatal - passou de 16% para 23% no quarto trimestre -, a reconstrução de todas as áreas afetadas exige um investimento de 48 bilhões de pesos (US$ 2,5 bilhões).

Os terremotos geraram um impacto temporário na economia, que registrou uma desaceleração no terceiro trimestre de 2017 ao crescer 1,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, depois do aumento de 1,9% em comparação equivalente considerando os períodos abril-junho de 2016 e 2017.

Segundo a Secretaria de Fazenda, o efeito dos desastres naturais já foi amenizado, e o prognóstico de crescimento da economiz mexicana foi mantido para de 2% a 2,6% neste ano, apesar do contexto de volatilidade e incerteza pela renegociação do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) e as próximas eleições presidenciais.

Dentro do processo eleitoral, dois temas pesarão nas urnas: a crescente corrupção e a falida estratégia de segurança em um país que está prestes a fechar 2017 com o número mais alto de homicídios em duas décadas, com 20.878 assassinatos de janeiro a outubro, perto do recorde de 22.855 homicídios em todo o ano de 2011.