Ex-primeira-dama do Peru pede que PT "esclareça" declaração de M.Odebrecht

Lima, 31 dez (EFE).- A ex-primeira-dama do Peru, Nadine Herédia, esposa do ex-presidente Ollanta Humala (2011-2016), pediu neste domingo ao Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil que "esclareça" a declaração do empresário Marcelo Odebrecht, que afirmou que teria feito uma doação à candidatura do peruano a pedido do partido brasileiro.

Assim como Humala, Nadine cumpre 18 meses de prisão preventiva enquanto é investigada pelo suposto financiamento irregular da campanha eleitoral de seu marido, e utilizou o Twitter para negar as declarações de Marcelo Odebrecht.

A ex-primeira-dama acrescentou que o empresário afirmou "ter ordenado doar a Barata (representante da Odebrecht no Peru) a pedido do PT-Brasil e que isto nunca ocorreu" e que o Partido Nacionalista Peruano também não solicitou "nenhum apoio econômico".

Nesse sentido, Nadine pediu "aos representantes do PT que esclareçam esta acusação".

Marcelo Odebrecht declarou em novembro a uma equipe de procuradores peruanos que, "com certeza", sua empresa apoiou políticos peruanos como Keiko Fujimori, Alan García, Alejandro Toledo e Ollanta Humala.

Em sua declaração, publicada ontem pelo site de investigação jornalística "IDL-Reporteros", Marcelo Odebrecht assegurou que "muitos candidatos de oposição, mesmo sabendo que não seriam eleitos, receberam algum tipo de apoio" da construtora brasileira.

No caso de Humala, Marcelo reiterou que ele pediu ao então representante de sua empresa no Peru, Jorge Barata, que apoiasse sua candidatura, apesar da oposição inicial deste.

"Barata começou a gostar de Ollanta Humala quando ele começou a defender o projeto do gasoduto, que era de nosso interesse. Se aparecesse um candidato que fosse contrário ao gasoduto, nós viríamos contra esse candidato. Um busca apoiar os candidatos que vão defender os seus interesses", comentou o empresário.

Nadine também enfatizou hoje que Marcelo Odebrecht indicou que Barata rejeitava a candidatura de Humala porque este "era uma incógnita" e, além disso, "o empresariado tinha uma reação muito adversa" em relação ao mesmo.

A ex-primeira-dama afirmou que já está há "cinco meses sem liberdade", ao lado de seu marido, "enquanto os que receberam propina camuflada de serviços para empresas amigas, 'offshores' e palestras, sequer tiveram uma investigação formalizada contra si".

"Para falar de corrupção, vejamos quem exercia os cargos públicos durante as campanhas de 2006 e 2011. Nós, não", concluiu a ex-primeira-dama.

No Peru, o caso Odebrecht segue o rasto das propinas milionárias que a construtora admitiu ter pagado perante a Justiça dos Estados Unidos a funcionários peruanos em troca de concessões para a realização de grandes obras entre 2005 e 2014. Este período abrange os governos de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Humala (2011-2016).

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