Macron anuncia lei para combater notícias falsas em período eleitoral

Paris, 3 jan (EFE).- O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quarta-feira que está elaborando um projeto de lei para lutar contra a proliferação de notícias falsas ao longo do período eleitoral, algo do qual ele mesmo foi vítima durante a campanha presidencial de 2017.

Em um discurso voltado para informação e comunicação ao qual foram convidados representantes da comunidade jornalística em Paris, Macron detalhou que apresentará "nas próximas semanas" um texto para que "os conteúdos na internet não tenham, durante o período eleitoral, as mesmas regras".

"Vamos aumentar as obrigações de transparência sobre todos os conteúdos patrocinados, para que se torne pública a identidade dos anunciantes e daqueles que os controlam", afirmou o presidente francês.

Assim, será possível realizar uma denúncia urgente ao juizado de propagação de notícias falsas, que poderá ordenar a supressão do conteúdo, a eliminação da conta do usuário e até bloquear o site difusor dessas informações.

Além disso, Macron anunciou que dará poderes ao Conselho Superior de Audiovisual para intervir contra "qualquer tentativa de desestabilização por emissoras de televisão controladas ou influenciadas por Estados estrangeiros".

Macron foi vítima durante a campanha presidencial de uma enxurrada de informações falsas, como boatos de que seria homossexual e de que mantinha uma suposta conta em um paraíso fiscal, que se propagaram, sobretudo, a partir da órbita de meios pró-governamentais russos como a emissora "Russia Today" e a agência de notícias "Sputnik".

Em maio do ano passado, pouco depois de assumir a presidência, Macron fez queixas ao presidente russo, Vladimir Putin, sobre ambos os meios, indicando que os mesmos "não se comportaram como órgãos de imprensa, mas de propaganda mentirosa".

"Há uma fascinação nacionalista que retorna. Muitos países nas fronteiras da Europa e dentro da própria Europa se veem tentados pela democracia iliberal, e a imprensa é sempre a primeira vítima", frisou Macron.

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