EUA apoiam Grupo de Lima contra eleições venezuelanas "antecipadas"

Washington, 24 jan (EFE).- Os Estados Unidos apoiaram nesta quarta-feira o Grupo de Lima em sua rejeição às eleições presidenciais "antecipadas" na Venezuela, ao considerar que essa votação "não será livre, nem justa" e só "aprofundará as tensões nacionais".

"(As eleições) não refletirão a vontade do povo da Venezuela e serão vistas como antidemocráticas e ilegítimas aos olhos da comunidade internacional", opinou nesta quarta-feira a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, em comunicado.

Os Estados Unidos expressaram assim seu apoio à declaração emitida ontem pelo Grupo de Lima, uma coalizão de 12 países americanos, que às vezes conta com a adição de outros países, surgida da impossibilidade de aprovar resoluções sobre a Venezuela na OEA pelo bloqueio de algumas nações.

Os EUA rejeitaram até agora oferecer explicações sobre os motivos de não integrar oficialmente este grupo, junto ao qual trabalhou durante meses na OEA e com o qual participa às vezes como ouvinte nas reuniões.

A coalizão é integrada por Brasil, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Costa Rica e, na declaração de ontem, contou com a adição de Guiana e Santa Lúcia.

O grupo rejeitou a decisão unilateral da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) da Venezuela, integrada apenas por políticos governistas, de antecipar as eleições para uma data que ainda será determinada antes de 30 de abril, quando geralmente elas acontecem no final de ano.

A coalizão considera que esta convocação "impossibilita a realização de eleições democráticas, transparentes e críveis (...) e contradiz os princípios democráticos e de boa fé para o diálogo entre governo e oposição".

Antes dessa declaração, Nauert já tinha expressado a rejeição dos Estados Unidos à convocação dessas eleições por considerar que a ANC é uma entidade "ilegítima".

"Apoiamos um sistema de eleições reais, completas e justas, e não a ilegítima Assembleia Constituinte que foi montada por Maduro", disse Nauert, ao ser questionada então pela Agência Efe.

Hoje, em sua nota, Nauert reafirmou a "rejeição enérgica" dos EUA às eleições "antecipadas".

"Um processo eleitoral transparente, justo e livre, aberto a uma observação internacional crível é essencial para a restauração da ordem democrática constitucional na Venezuela", indicou a porta-voz.

"Pedimos ao governo da Venezuela que cumpra os compromissos da Carta da OEA e da Carta Democrática Interamericana e apoiamos a declaração do Grupo de Lima que pede um processo democrático transparente e inclusivo", acrescentou a porta-voz na nota.

A ANC é um órgão plenipotenciário não reconhecido pela oposição e por numerosos governos, entre eles os Estados Unidos, por ter sido formada sem um referendo prévio de aprovação, como indica a Constituição do país.

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