Aumentam os pedidos de renúncia de Netanyahu por novo caso de corrupção

Jerusalém, 20 fev (EFE).- Os pedidos de renúncia do primeiro-ministro de Israel estão aumentando após a divulgação de informações sobre o caso Bezeq, no qual suspeita-se que Benjamin Netanyahu obteve cobertura favorável dessa empresa de comunicação em troca de favores, informaram nesta terça-feira veículos de imprensa locais.

"Israel merece um primeiro-ministro em tempo integral, e não um que esteja envolvido em outras coisas. Ele que decida o que prefere. Se não quer renunciar, que se declare incapacitado", disse Yair Lapid, líder do partido de centro Yesh Atid (Há Futuro, em hebraico), segundo o jornal "Maariv".

Lapid apresentou ontem uma moção de confiança no plenário do Congresso e sugeriu que o chefe de governo nomeie um substituto interino das fileiras de seu partido, o Likud, até que a sucessão seja resolvida nas urnas.

O líder do bloco de partidos de esquerda União Sionista, Avi Gabay, também emitiu uma opinião similar.

"Netanyahu se transformou em um empecilho para os cidadãos de Israel. Um líder com escândalos diários, com casos de corrupção e com uma obsessão doentia pelo 'que vão dizer' e o que é divulgado sobre ele na imprensa", disse, segundo o "Maariv".

Ontem à noite expirou a ordem de não informar sobre o caso de corrupção da companhia telefônica Bezeq, que também ficou conhecido como Caso 4000, e a polícia revelou na manhã de hoje que prendeu sete pessoas no domingo: dois colaboradores muito próximos a Netanyahu e dois executivos da companhia, além de seu dono, Shaul Elovitch, junto com sua esposa e filho.

Além disso, outro assessor de comunicação próximo a Netanyahu foi detido esta manhã, informou a emissora israelense "Kan", sem confirmar sua identidade.

A investigação se concentra na possível troca de favores entre Elovitch e Netanyahu, que tinha conseguido uma cobertura favorável do popular site de notícias "Walla" em troca de favores a Bezeq, que teriam feito o empresário ganhar milhões.

O caso se soma a outros dois nos quais a polícia recomendou ao Ministério Público que acuse o primeiro-ministro: o 1000, que investiga a receptação de presentes luxuosos pela família Netanyahu em troca de favores; e o 2000, sobre uma tentativa de pacto com o dono do jornal "Yedioth Ahronoth", Arnon Mozes, para conseguir notícias favoráveis em troca de iniciativas para reduzir a circulação de um jornal concorrente.

"O primeiro-ministro não pode aceitar 1 milhão de shekels de um milionário. Não pode manter este tipo de conversas com Arnon Mozes. Não pode manter este tipo de negociações com Shaul Elovitch", opinou Lapid.

O ex-primeiro-ministro Ehud Barak, por sua vez, tuitou ontem à noite: "São dias tristes. Bibi (apelido de Netanyahu) parece acabado. Aceitar propinas multiplicadas por três ou quatro. Conheço bem o Bibi. Ele sabe que não tem maneira de se desligar do caso Bezeq com os outros casos de fundo".

Netanyahu negou todas as acusações, que considera uma "caça às bruxas" orquestrada para tirá-lo da chefia de governo.

"Não houve troca de favores nem atos ilegais com Elowitch. Não responderemos a acusações falsas nos veículos de imprensa", afirmou ontem à noite o premiê em seu perfil no Facebook.

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