Procurador especial do caso Rússia nos EUA indicia advogado por mentir ao FBI

Washington, 20 fev (EFE).- O procurador especial do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Robert Mueller, responsável por investigar a suposta ingerência russa nas eleições presidenciais americanas, anunciou nesta terça-feira novas acusações contra Alex Van Der Zwaan, um advogado de um prestigiado escritório de Nova York, por mentir ao FBI, a polícia federal americana.

Van Der Zwaan deve comparecer hoje às 14h30 locais (16h30 em Brasília) a um tribunal do Distrito de Columbia para prestar esclarecimentos.

Segundo o texto de acusação de Mueller, Van Der Zwaan manteve contatos com Rick Gates, o antigo "número 2" da campanha do agora presidente Donald Trump, e que é acusado de vários crimes, entre eles lavagem de dinheiro, dentro da investigação sobre a interferência russa.

De acordo com o texto de acusação, Van Der Zwaan "deliberadamente fez declarações materialmente falsas, fictícias e fraudulentas" tanto ao FBI como ao procurador especial Mueller quando foi interrogado em 3 de novembro de 2017.

O advogado supostamente mentiu sobre um relatório que elaborou para o Ministério de Justiça da Ucrânia com o objetivo de preparar um julgamento que tinha como protagonista a ex-primeira ministra Yulia Timoshenko, que, desde maio de 2010, teve que enfrentar vários procedimentos legais.

Concretamente, segundo Mueller, o acusado mentiu sobre os contatos que manteve sobre o relatório com Rick Gates.

O acusado não revelou que a última vez que fez contato com Gates por telefone foi em agosto de 2016, e também não disse que os dois se viram pessoalmente pela última vez em 2014.

Em outubro de 2017, Rick Gates se entregou ao FBI e se declarou inocente das 12 acusações apresentadas contra ele, mas agora está inclinado a colaborar com a Justiça e declarar-se culpado, segundo revelaram veículos de imprensa locais nos últimos dias.

Gates, de 45 anos e cujo nome era quase desconhecido até que Mueller apresentou as acusações, era o protegido de Paul Manafort, que foi o chefe da campanha eleitoral de Trump entre maio e agosto de 2016.

Tanto Gates como Manafort são acusados de criar uma "rede de entidades e contas bancárias" em diferentes países para esconder até US$ 75 milhões que obtiveram do governo pró-Rússia da Ucrânia e de outros oligarcas russos, e os ajudaram, por exemplo, a melhorar sua imagem nos Estados Unidos.

Precisamente, Manafort, que dirigiu a campanha eleitoral de Trump entre maio e agosto de 2016, teve que renunciar após a descoberta de que ele tinha escondido das autoridades um pagamento de US$ 12,7 milhões que recebeu por assessorar o ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich (2010-2014), vinculado à Rússia.

Assim que Manafort renunciou, Gates continuou participando da campanha de Trump e chegou a fazer parte da equipe que preparou a transição uma vez que o magnata ganhou as eleições em novembro.

Desde maio de 2017, Robert Mueller ocupa o cargo de procurador especial e se encarrega de investigar os possíveis laços entre integrantes da campanha do presidente e do governo russo, que as agências de inteligência dos EUA acusam de interferir nas eleições de 2016.

O cargo de procurador especial é independente do governo, por isso está garantida a neutralidade da investigação.

Até o momento, Mueller acusou 13 russos e três companhias russas de interferência nas eleições de 2016.

Também apresentou acusações contra quatro pessoas relacionadas com o atual líder: Gates, Manafort, seu ex-assessor de segurança na Casa Branca Michael Flynn, e outro ex-assessor, George Papadopoulos, que trabalhou para o magnata durante as eleições.

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