EUA seguem sem embaixador em 45 países após 1º ano de mandato de Trump

Cristina García Casado.

Washington, 27 fev (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está sem embaixador em 45 países depois de mais de um ano de mandato, inclusive em nações importantes do ponto de vista bilateral, como Turquia, Jordânia, Arábia Saudita, Egito e Coreia do Sul.

Este vazio diplomático acontece devido à fulminante decisão que Trump tomou como presidente eleito ao ordenar a saída de todos os embaixadores que tinham sido indicados por seu antecessor, Barack Obama, que, após o dia 20 de janeiro de 2017, retornaram a seus postos de carreira.

Isso deixou gigantes como China e Índia sem o máximo representante americano durante meses, além de aliados como Reino Unido e Canadá.

Outras capitais importantes, como Camberra (Austrália) e Berlim (Alemanha), seguem à espera de que o Senado confirme os indicados por Trump, segundo a lista oficial com data de 1º de fevereiro oferecida à Agência Efe pelo Departamento de Estado.

A Casa Branca acusa os senadores democratas de obstruírem as indicações do presidente, já que os republicanos têm uma maioria muito apertada nesta casa legislativa, mas os especialistas afirmam que isto se deve à notável lentidão do governo em propor candidatos.

"É muito incomum ter tantos postos vazios de embaixadores depois de mais de um ano do início da presidência. A maior parte da culpa é da Administração, que está sendo muito lenta na hora de fazer indicações", disse nesta terça-feira à Efe o presidente da Academia Americana de Diplomacia, o embaixador aposentado Ronald E. Neumann.

Há algumas teorias que explicam essa lentidão nas indicações, segundo Neumann, e uma delas é que a equipe de Trump "não esperava ganhar (as eleições) e não estava completamente organizada".

"Além disso, o processo de transição teve muitas interrupções, há um grupo bastante pequeno de pessoas na Casa Branca tomando decisões e existem grandes diferenças entre os seus pontos de vista", indicou o diplomata aposentado.

Os Estados Unidos de Trump estão sem sua máxima representação diplomática em alguns dos pontos mais quentes de suas relações internacionais.

Em um momento de grave crise no Oriente Médio e elevada tensão com a Coreia do Norte, Washington não tem embaixadores - nem indicados para o cargo - na Turquia, na Jordânia, na Arábia Saudita, no Egito e na Coreia do Sul.

Durante os Jogos Olímpicos de Inverno na Coreia do Sul ficou evidente a falta de um embaixador americano, depois que Trump decidiu não indicar Victor Cha depois que este externou sua rejeição a um ataque preventivo contra as instalações nucleares da Coreia do Norte.

"As embaixadas mais urgentes são as de lugares onde temos grandes problemas, e não grandes relações. Por exemplo, um embaixador como o do Reino Unido não seria tão urgente, porque temos relações muito intensas com esse país e cada membro do gabinete sabe quem é o seu colega britânico", afirmou Neumann.

Sobre se o Partido Republicano poderia ajudar o governo Trump a encontrar candidatos a embaixador para acelerar o processo, o ex-diplomata opinou: "Esta Administração não quer ajuda, eles querem fazer as coisas sozinhos".

Na América Latina e no Caribe, os países sem embaixador americano são: Argentina, Bahamas, Belize, Cuba, Honduras, Jamaica, República Dominicana, Trinidad e Tobago, além de Bolívia e Venezuela, onde a relação está apenas em nível de encarregado de negócios.

Trump nomeou os candidatos para Argentina, Bahamas e República Dominicana, que estão pendentes de confirmação no Senado, mas, para as outras delegações vacantes, o presidente sequer propôs um nome.

Os Estados Unidos não chegaram a ter um embaixador em Cuba desde a normalização das relações bilaterais porque o Congresso - que, assim como hoje, era controlado pelos republicanos - não submeteu à votação o indicado por Obama para o cargo, Jeffrey DeLaurentis, o primeiro encarregado de negócios.

Trump fez até agora 70 indicações de embaixadores, tanto para países como para organizações internacionais, dos quais 27 (38,6%) são de carreira e 43 (61,4%) são políticos, segundo a última atualização da Associação do Serviço Exterior dos Estados Unidos (Afsa, na sigla em inglês) com data de 21 de fevereiro.

"Esses percentuais seriam preocupantes se continuassem os mesmos por um ano ou dois, mas ainda não se pode dizer isto, porque, no início de todas as Administrações, são os de indicação política que saem", afirmou Neumann.

A grande diferença com outros governos é que Trump não deu aos embaixadores indicados por Obama o habitual período de carência para deixarem seus cargos e garantir uma transição sem vazio diplomático entre eles e seus sucessores.

Esta situação nas embaixadas condiz com o cenário geral no Departamento de Estado, onde ainda não foram nomeados os titulares de vários cargos-chave, como os de subsecretário.

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