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Três prêmios Nobel pedem que Suu Kyi renuncie ou diga verdade sobre rohingyas

28/02/2018 11h17

Daca, 28 fev (EFE).- Três detentoras de Nobel da Paz, Shirin Ebadi, Tawakel Karman e Mairead Corrigan, pediram nesta quarta-feira em Bangladesh à líder de fato do Governo birmanês, a também premiada Aung San Suu Kyi, que renuncie ou diga a verdade sobre o "genocídio" contra a minoria muçulmana rohingya em Mianmar.

"Aung San Suu Kyi não governa Mianmar, o verdadeiro governo está no Exército, que cometeu todos esses crimes nestes anos e não só agora. Mas ela tem que parar com isto, ela é responsável, deve dizer a verdade ou pode renunciar", afirmou aos jornalistas a iemenita Karman.

Ao término de uma visita de três dias aos campos de refugiados no sudeste de Bangladesh, onde chegaram cerca de 688 mil rohingyas nos últimos seis meses, a vencedora do prêmio Nobel pediu a Suu Kyi que diga aos governantes que deixem de matar.

Karman, que fundou o grupo "Mulheres jornalistas sem correntes" que lhe valeu em 2011 o Nobel da Paz, precisou que os crimes contra os rohingyas são um "genocídio contra gente inocente".

O grupo pediu ao início da visita que os culpados do suposto "genocídio" sejam levados perante a Tribunal Penal Internacional (TPI), uma opção que o advogado iraniano Shirin Ebadi (Prêmio Nobel da Paz 2003) reconheceu como complicada, já que Mianmar não é membro do órgão internacional.

No entanto, Ebadi afirmou que há "provas suficientes" sobre os crimes contra os rohingyas para que o assunto seja examinado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e este possa qualificá-los de crimes contra a humanidade.

O êxodo rohingya começou em 25 de agosto, após um ataque de um grupo insurgente que foi respondido com uma campanha militar em Rakain, onde calcula-se que havia cerca de um milhão de membros desta minoria não reconhecida pelas autoridades birmanesas.

A ONU e organizações defensoras dos direitos humanos denunciaram que existem provas claras sobre os abusos e o Alto Comissariado dos Direitos Humanos da ONU o qualificou de "limpeza étnica" e afirmou que há indícios de "genocídio".