Nepal ainda espera dinheiro para reconstrução 3 anos depois de terremoto

Binod Ghimire.

Katmandu, 27 abr (EFE).- Três anos depois de um terremoto ter deixado milhares de mortos e incontáveis prejuízos no Nepal, o país continua à espera da maior parte do dinheiro prometido pela comunidade internacional para sua reconstrução.

Em junho de 2015, quando ainda estava viva a lembrança do terremoto do dia 25 de abril e as posteriores réplicas que deixaram mais de nove mil mortos e 21 mil feridos, o Nepal organizou uma conferência com doadores para obter verbas para a reconstrução.

Os 25 participantes, entre países e instituições multilaterais, acertaram um auxílio de US$ 4,1 bilhões. O governo do Nepal calculava precisar de US$ 9 bilhões para reconstruir os cerca de 800 mil imóveis destruídos pelos tremores que abalaram o país.

No entanto, de acordo com a Autoridade Nacional para a Reconstrução do Nepal (NRA), órgão responsável pela recuperação das áreas danificadas pelo terremoto, a comunidade internacional reduziu o valor prometido para US$ 3,4 bilhões, considerando que já tinha gasto US$ 670 milhões em ajuda emergencial logo depois do sismo.

Dos US$ 3,4 bilhões, US$ 1,8 bilhão foram repassados em forma de empréstimos e US$ 813 milhões em subsídios. Por isso, a NRA agora precisa de mais US$ 1,6 bilhão para dar sequência ao trabalho.

"No entanto, muito pouco dinheiro foi realmente desembolsado", afirmou à Agência Efe o chefe do Departamento de Ajuda Estrangeira da NRA, Bhisma Kumar Bushal.

Dessa forma, dos US$ 9 bilhões previstos pelo Nepal para reconstruir os imóveis destruídos ou danificados, apenas US$ 1 bilhão foi utilizado até agora, sendo US$ 551 milhões dos doadores.

Dos 25 países e organizações internacionais que prometeram que forneceriam recursos, o governo do Nepal ainda espera assinar acordos com 11 deles. Cartas oficiais foram enviadas para lembrar do compromisso assumido depois do terremoto.

"Alguns deles se mostraram mais positivos, outros ainda não responderam", destacou à Efe o porta-voz da NRA, Yam Lal Bhoosal.

Segundo Bhoosal, o Nepal enfrenta dois desafios, o primeiro é fazer com que esses parceiros assinem os acordos de cooperação. Conseguir a liberação das verbas é um passo ainda mais difícil.

O caso da vizinha Índia, o maior dos 25 doadores, mostra toda a magnitude do problema enfrentado pelo Nepal. O governo indiano prometeu US$ 1 bilhão em auxílios, dos quais 75% seriam em forma de empréstimo e os outros 25% em subsídios.

No entanto, dessa quantia, a Índia só repassou US$ 16,2 milhões em empréstimos. O dinheiro foi destinado à construção de cinco mil casas nos distritos de Gorkha e Nuwakot.

Segundo o porta-voz da NRA, as condições para a obtenção dos empréstimos são tão rigorosas que atrapalham o processo. A Índia impôs, por exemplo, que as construtoras contratadas sejam do país. Além disso, 51% material usado nas obras deveria ser indiano.

O porta-voz da embaixada da Índia em Katmandu, Ruby Jasprit, explicou à Efe que, com os acordos já assinados, o dinheiro será liberado de maneira gradual.

Três anos depois do terremoto de 7,5 graus na escala Richter, a NRA já acha impossível cumprir a meta prevista pelo governo do Nepal de reconstruir o país totalmente até 2020.

De acordo com dados da NRA, dos 767.705 imóveis que o governo do Nepal previu erguer, 119.229 estão prontos e outros 430.393 estão em obras. Um caso similar ocorre em relação às escolas. De um total de 7.553 previstas, apenas 3.613 foram reconstruídas.

Além disso, menos da metade dos 1.197 hospitais afetados está funcionando. O mesmo ocorre com as delegacias de polícia. Dos 383 atingidos pelo terremoto, apenas 79 estão à disposição da população. EFE

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(foto) (vídeo)

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