Confrontos territoriais na Somália deixam dezenas de soldados mortos

Mogadíscio, 25 mai (EFE).- Dezenas de soldados morreram entre ontem e hoje em confrontos entre as tropas de duas regiões do norte da Somália, a autoproclamada independente Somalilândia e a semiautônoma Puntlândia.

Ambas as regiões estão há mais de dez anos em disputa pela região de Sool.

"Durante a manhã ontem houve uma grande batalha com armas pesadas que começou em Tukaraq (situado em Sool). Vi 45 corpos no campo de batalha. Um desastre", declarou à Efe Faisal Geedi, um líder local.

Sem números oficiais, acredita-se que esta seja a maior quantidade de vítimas em menos de 48 horas desde a intensificação do conflito territorial há alguns meses.

A tensão em Tukaraq começou há três meses, depois que tropas de Somalilândia tomaram o controle dessa cidade estratégica em janeiro, após uma incursão contra soldados de Puntlândia desdobrados lá. A Puntlândia reivindica a anexação de Sool por conta das suas relações étnicas com as comunidades locais, mas a Somalilândia se opõe e declarou guerra em 1998.

Estas duas regiões foram ainda as mais afetadas pela chegada do ciclone "Sagar" no sábado passado, que provocou a morte de pelo menos 27 pessoas e deixou quase 670 mil afetadas, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). As autoridades locais, por outro lado, calculam em 50 as vítimas do desastre meteorológico.

As tropas de Puntlândia aproveitaram que a Somalilândia está em situação de emergência pelo ciclone para retomar a batalha, conforme explicou o ministro de Informação da região autoproclamada independente, Abdurahman Farah.

A comunidade internacional fez um apelo para que todos os envolvidos cessem as hostilidades. Em comunicado conjunto, a ONU, a União Africana (UA), a União Europeia (UE), a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) e mais de uma centena de países - entre eles Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha -, pediram "uma imediata suspensão" do conflito e o início dos diálogos.

Esta disputa territorial é mais uma da Somália, onde o grupo jihadista Al-Shabab, que filiou-se à rede internacional da Al Qaeda em 2012, controla parte do território no centro e no sul do país. A Somália vive em estado de guerra e caos desde 1991, quando o ditador Mohamed Siad Barre foi derrubado.

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