Canadá levará Cúpula do G7 para remota cidade turística de Québec

Julio César Rivas.

Toronto, 27 mai (EFE).- O Canadá definiu que a 44ª Cúpula do G7 será realizada nos dias 8 e 9 de junho em uma remota cidade de Québec longe de qualquer centro urbano, o que protegerá os líderes dos sete países mais industrializados do mundo de manifestações e protestos.

Enquanto os líderes do G7 se reunirão em um complexo hoteleiro de luxo na região de Charlevoix, a imensa maioria das centenas de jornalistas credenciados para cobrir a cúpula e os manifestantes que pretendem realizar seus protestos terão que permanecer na cidade de Québec, a 140 quilômetros de distância.

A chegada da 44ª Cúpula do G7 a Québec está trazendo lembranças aos moradores da capital quebequense dos incidentes que marcaram a Cúpula das Américas de 2001, quando centenas de manifestantes e policiais se enfrentaram nas ruas da pitoresca cidade canadense.

Os graves incidentes de 17 anos atrás fizeram com que residentes e estabelecimentos comerciais estejam se preparando para o pior, no caso de a violência voltar a explodir pela presença dos governantes de Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

Lojas de alguns dos bairros mais centrais reforçaram suas vitrines e restaurantes e bares têm planos para retirar cadeiras e mesas das calçadas para evitar que sejam transformados em "armas".

Por sua parte, alguns moradores sugeriram decorar ruas e edifícios com a cor laranja para assinalar onde há crianças em uma tentativa de limitar os possíveis atos de violência.

O governo canadense também está se esforçando para tranquilizar os moradores e os estabelecimentos comerciais da cidade de Québec.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, visitou a região para promover a cúpula e defender os mais de US$ 480 milhões orçamentados para realizar a reunião dos países mais industrializados do mundo.

Incluído nesse orçamento há um fundo para compensar as lojas da cidade de Québec pelos danos que possam ser causados em propriedades privadas.

Perante as críticas recebidas pela exorbitante fatura de receber durante dois dias os líderes desses sete países no hotel Fairmont Le Manoir Richelieu da cidade da Malbaie, Trudeau considera que o preço está justificado.

"Ter a oportunidade para que os sete aliados se reúnam em um ambiente menos formal, mais relaxado, rodeado de preciosas paisagens e cálidas boas-vindas, para falar de temas reais, é muito importante", afirmou Trudeau.

Embora Trudeau não tenha especificado, parte do atrativo do Fairmont Le Manoir Richelieu, além da sua distância da cidade de Québec, é seu espetacular campo de golfe que bordeia o rio San Lorenzo e que certamente agradará o presidente americano, Donald Trump.

Um campo de golfe que foi inaugurado em 1925 justamente por ex-presidente americano, William H. Taft.

Grande parte dos US$ 480 milhões da cúpula está destinado às medidas de segurança. A organização deve desdobrar nos próximos dias mais de 3.000 agentes de polícia enviados de todo o país para proteger os líderes do G7.

Além disso, a cidade da Malbaie, onde vivem cerca de 8.000 pessoas, começou a ser rodeada por uma cerca metálica de três metros de altura para impedir o acesso de pessoas não autorizadas durante a cúpula.

O orçamento de segurança, o desdobramento policial, a cerca e o estabelecimento na cidade de Québec por parte das forças de segurança de uma zona "de livre expressão", para limitar as manifestações durante a cúpula, estão causando mal-estar entre organizações da sociedade civil canadense.

O Conselho dos Canadenses, uma das organizações que planeja protestar contra a cúpula, afirmou que "rejeita" o estabelecimento de "áreas de livre expressão" e exige que Trudeau permita que os manifestantes "possam ser vistos" pelos líderes do G7.

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