Migrações internas na África impulsionam crescimento econômico, diz ONU

Adis Abeba, 31 mai (EFE).- A migração de pessoas entre países da África, que no ano passado deu lugar a 19 milhões de deslocamentos, poderia representar um impulso ao crescimento econômico e transformar a estrutura das economias no continente, conforme um relatório publicado nesta quinta-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Ao todo, 19 milhões de africanos migraram para países dentro da própria África em 2017, um número maior os que se movimentaram para fora dela ( 17 milhões) segundo um dossiê publicado nesta quinta-feira pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e apresentado em Adis Abeba (Etiópia). Além dos que transitaram internamente, 5,5 milhões de pessoas imigraram para a África em 2017.

"O principal marco de movimento dentro da África é aquele em que os emigrantes tenham um impacto positivo tanto no país que deixam quanto onde se instalam", explicou o secretário-geral da UNCTAD, Mukhisa Kituyi.

Segundo a instituição, se os fluxos migratórios entre os países africanos forem bem administrados "poderiam gerar um crescimento substancial no produto interno bruto (PIB) no continente até 2030". Este tipo de movimentos poderia acelerar o desenvolvimento econômico mediante o comércio, potencializando setores como a importação de alimentos.

Outro dos possíveis efeitos é o crescimento da produtividade em áreas como agricultura, construção e serviços. Segundo a tese defendida pelo estudo, o desenvolvimento chegaria tanto a países emissores quanto aos receptores, favorecendo o crescimento inclusivo e a redução da pobreza.

Com estes objetivos, a organização recomenda aos governos africanos a criação de um marco comum em termos de políticas de migração, comércio e investimentos, alinhados a metas e desenvolvimento. Como exemplo, Kituyi citou Ruanda, país que ele qualificou como líder em matéria de criação de entornos propícios para emigrantes e afirmou que outras nações do continente podem aprender deste pequeno estado da África oriental. Desde janeiro, Ruanda anulou a necessidade de visto de turista para a maioria dos países africanos, sendo a primeira nação do continente a tomar esta medida.

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