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Liberal moderado é eleito novo primeiro-ministro da Austrália

O novo premiê australiano, Scott Morrison - David Gray/Reuters
O novo premiê australiano, Scott Morrison Imagem: David Gray/Reuters

Em Sydney

24/08/2018 02h59

Scott Morrison, até agora chefe do escritório do Tesouro da Austrália, se tornou nesta sexta-feira (24) líder do Partido Liberal - no governo desde 2013 - e substituirá o primeiro-ministro Malcolm Turnbull - ainda falta o processo formal.

O até então líder australiano, que chegou ao poder em 2015 em outra crise interna, convocou os liberais para uma votação com o objetivo de encerrar a crise no governo.

Morrison derrotou na votação (por 45 votos contra 40) o ex-ministro do Interior, Peter Dutton, disse à imprensa a encarregada de assuntos disciplinares dos liberais, Nola Marino.

A previsão é que Morrison jure o cargo na tarde desta sexta, diante do governador-geral, Peter Cosgrove, que representa a chefe de Estado da Austrália, a rainha Elizabeth II da Inglaterra.

Segundo analistas, Morrison, um cristão praticante de 50 anos, é visto como um liberal moderado que no passado era conhecido por sua política de mão de ferro contra a imigração ilegal.

"Quero parabenizar Morrison e assegurar minha absoluta lealdade", declarou Dutton, líder da revolta contra Turnbull - que não apresentou candidatura -, ao sair da reunião que durou cerca de 30 minutos.

É a segunda vez que os liberais, grupo vencedor nas eleições de 2013 e 2016, mudam seu líder e presidente, depois que Turnbull chegou ao poder em 2015, através do mesmo mecanismo interno, substituindo seu correligionário Tony Abbott.

Na reunião também foi eleito por uma "maioria absoluta" Josh Frydenberg, ministro da Energia e Ambiente, como vice-primeiro-ministro, afirmou Nola Marino.

Em suas últimas declarações para a imprensa como líder do país, Turnbull, anunciou que deixará sua cadeira, sem precisar a data exata e aproveitou para criticar os "insurgentes" que lhe tiraram do poder.

"Na reunião de hoje, fiquei impressionado com a forma como muitos dos meus colegas falaram ou votaram em favor da lealdade sobre a deslealdade, como os insurgentes não foram recompensados com a eleição de Dutton e no seu lugar pelo meu sucessor, a quem lhe desejo o melhor, Scott Morrison, um tesoureiro muito leal", disse o dirigente.

Turnbull convocou hoje os parlamentares liberais para uma reunião extraordinária, realizada em uma sala do Parlamento de Camberra, depois de receber o pedido de convocação assinada por 43 membros do partido.

"As pessoas que escolheram Dutton e Abbott, optaram de maneira deliberada por atacar o governo por dentro", afirmou Turnbull, que na última terça derrotou Dutton em outra votação interna (por 48 a 35) e que destacou a "vingança" e "ambições políticas" de seus rivais liberais.

"Os australianos estarão simplesmente estupefatos e consternados pela conduta da última semana", afirmou Turnbull.

A Austrália deve realizar eleições gerais em 2019, embora alguns analistas consideram que podem ser antecipadas.

As disputas internas pelo poder e mudanças de líderes se tornaram frequentes na Austrália por quase uma década, tanto nos governos da coalizão Liberal-Nacional como nos do Partido Trabalhista.

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