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México se dispõe a mediar na crise na Venezuela caso haja solicitação

25/01/2019 13h35

Cidade do México, 25 jan (EFE).- O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, disse nesta sexta-feira que seu governo está disposto a mediar a crise na Venezuela, mas ressaltou que esse trabalho só poderá ser realizado se as partes o solicitarem e desde que não haja violação do princípio de autodeterminação dos povos.

Perguntado sobre a situação da Venezuela na entrevista coletiva concedida por ele diariamente, López Obrador disse que a Constituição mexicana prevê que a política externa do país defenda os princípios de não-intervenção, autodeterminação dos povos e solução pacífica de conflitos.

"Não é que sejamos a favor ou contra ninguém. Vamos defender os princípios constitucionais da política externa", explicou.

López Obrador também afirmou que o governo do México está em condições de mediar o conflito entre as diferentes partes na crise venezuelana.

"Sim, poderíamos fazer (a mediação), mas não se não houver um pedido das partes. Nós vamos respeitar nossos princípios e, se as partes solicitarem, estamos na melhor disposição de ajudar para que haja um diálogo", ressaltou.

O presidente mexicano ainda informou que orientou o secretário de Relações Exteriores do país, Marcelo Ebrard, a apoiar a Venezuela dentro das possibilidades de seu governo, mas sem ter ingerência no conflito ou assumir uma posição favorável a qualquer das partes.

"Isso tem a ver com uma tradição histórica do nosso país com a política externa. Não devemos nos meter nos assuntos de outros povos, de outras nações, porque não queremos que nenhum governo estrangeiro intervenha nos assuntos que só correspondem aos mexicanos", afirmou.

Ontem, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que concorda em realizar uma nova rodada de negociação com a oposição para discutir soluções para a crise enfrentada pelo país.

"Os governos do México e do Uruguai propuseram a criação de uma iniciativa internacional para promover um diálogo entre as partes na Venezuela. Digo-lhes publicamente que estou de acordo", disse Maduro em discurso realizado na sede do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), onde recebeu o apoio dos chefes dos demais poderes do país.

Também ontem, México e Uruguai propuseram que os venezuelanos encontrassem uma solução pacífica e democrática para o "complexo panorama" enfrentada pelo país.

"De forma conjunta, os governos do Uruguai e do México formulam um chamado a todas as partes envolvidas, tanto no interior do país como no exterior, para reduzir as tensões e evitar uma escalada de violência que pode agravar a situação", afirmaram os países em documento divulgado pela Chancelaria uruguaia.

A tensão aumentou na quarta-feira, quando o chefe da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente do país por considerar que Nicolás Maduro está "usurpando" o poder.

Os confrontos dos últimos dias entre manifestantes e polícia deixaram 20 mortos e 350 presos no país. EFE