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Jornalistas da Efe relatam experiência de serem presos em Caracas

31/01/2019 20h07

Bogotá/Caracas, 31 jan (EFE).- Os três jornalistas da Agência Efe libertados nesta quinta-feira em Caracas, na Venezuela, um dia após serem detidos pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) disseram que estão bem fisicamente e de ânimo e definiram a experiência como "muito difícil".

O fotógrafo Leonardo Muñoz, a editora de vídeo Maurén Barriga, ambos colombianos, e o redator espanhol Gonzalo Domínguez foram liberados após passarem a noite no centro de detenção El Helicoide e não serão deportados, como foi informado inicialmente.

"Foi muito difícil, mas estamos bem", disse Muñoz, que ficou surpreso pela repercussão internacional do caso. Ontem, por volta do meio-dia (horário local), e ele e o motorista venezuelano José Salas foram detidos quando acompanhavam uma manifestação de opositores do presidente do país, Nicolás Maduro, em Caracas.

Muñoz, que assim como os outros jornalistas detidos integra a delegação da Efe em Bogotá, tinha viajado com Barriga e Domínguez a Caracas no último dia 24 para reforçar o escritório da agência na capital venezuelana na cobertura da crise social e política no país.

"Nos deixaram em absoluta e total liberdade. Não fomos deportados, nem expulsos", disse Domínguez.

Durante o processo de soltura, os três estavam acompanhados pelo cônsul adjunto espanhol em Caracas, Julio Navas, e pelo encarregado de negócios da embaixada da Colômbia, Germán Castañeda, que desde ontem à noite estavam à frente das gestões para que eles fossem libertados.

Domínguez relatou que todos estão "bem, tanto fisicamente como de ânimo", apesar de todos terem passado a noite algemados, segundo ouviram, "por um protocolo de segurança".

"Estamos livres, e com isso já avançamos bastante", afirmou o jornalista espanhol, que também confirmou que "não houve nenhum mau-trato físico ou psicológico".

Por sua vez, Maurén Barriga descreveu o episódio como "apavorante", principalmente ontem à noite, quando ela e Domínguez chegaram ao hotel e encontraram cinco agentes do Sebin, armados, os esperando - eles também tinham entrado em seus quartos e mexido em seus pertences.

"Depois, essas horas no Helicoide foram de grande angústia, no fundo de um corredor, em um canto, algemados perto de dois agentes que nos vigiavam. Não sabíamos nem que horas eram, porque não havia nenhuma janela", relatou.

Após superarem a experiência, os três afirmaram querer continuar na Venezuela por mais alguns dias, ajudando os colegas de Agência Efe em Caracas.

"Por mim, ficaria, porque amo meu trabalho. Mas, por outro lado, está a minha família, que me pede para que volte em breve", declarou a jornalista colombiana. EFE