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UE pede que Turquia interrompa sua ofensiva militar na Síria

09/10/2019 16h22

Bruxelas, 9 out (EFE).- A União Europeia (UE) pediu nesta quarta-feira para que a Turquia interrompa sua ofensiva militar no norte da Síria, advertindo que a incursão "ameaça" o progresso feito na luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico (EI).

"A UE pede para a Turquia interromper a ação militar unilateral. Novas hostilidades armadas no nordeste prejudicarão ainda mais a estabilidade de toda a região, aumentarão o sofrimento dos civis e provocarão mais deslocamentos", declarou a alta representante da UE para Política Externa e Segurança, a italiana Federica Mogherini.

Ela afirmou que uma solução sustentável para o conflito sírio não pode ser alcançada por meios militares.

Além disso, advertiu que "a ação unilateral da Turquia ameaça o progresso alcançado pela Coalizão Global" contra o EI, da qual Ancara faz parte.

"A ação militar minará a segurança dos parceiros locais da Coalizão e gerará um risco de instabilidade prolongada no nordeste da Síria, proporcionando um terreno fértil para o ressurgimento do (grupo terrorista) Estado Islâmico, que continua sendo uma ameaça significativa para a segurança regional, internacional e europeia", acrescentou Mogherini.

Ela enfatizou que "a detenção segura de combatentes terroristas é imperativa para impedir que eles se juntem às fileiras de grupos terroristas".

Também considerou "improvável" que o estabelecimento de uma área segura no nordeste da Síria atenda os critérios internacionais para o retorno de refugiados, conforme estabelecido pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Federica Mogherini enfatizou que a UE não fornecerá assistência de estabilização ou desenvolvimento em áreas "onde os direitos da população local são ignorados".

A italiana reconheceu que Bruxelas e Turquia concordam em terminar com a violência, derrotar o terrorismo e promover a estabilidade na Síria e região.

"A Turquia é um parceiro importante da União Europeia e um ator de importância crucial na crise síria e na região, e a UE elogia a Turquia pelo seu importante papel como um país de amparada para refugiados sírios", comentou.

Em 2016, Bruxelas e Ancara fecharam um acordo para que a Turquia mantenha em seu território os migrantes que chegam irregularmente à Grécia.

"As preocupações de segurança da Turquia devem ser tratadas por meios políticos e diplomáticos, não por ações militares", insistiu a UE, pedindo proteção para a população civil.

Erdogan anunciou hoje o início da operação militar na Síria contra milícias curdas e contra o EI. EFE

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