PUBLICIDADE
Topo

Falta de transparência sobre covid-19 na Nicarágua preocupa ONU

29.ago.18 - Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e sua esposa e vice-presidente, Rosa Murillo, em Manágua - Alfredo Zuniga/AP
29.ago.18 - Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e sua esposa e vice-presidente, Rosa Murillo, em Manágua Imagem: Alfredo Zuniga/AP

09/04/2020 02h05

Manágua, 8 abr (EFE).- A falta de transparência da Nicarágua sobre casos de covid-19 despertou nesta quarta-feira a preocupação de especialistas locais e do Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) devido aos riscos da pandemia.

Os dados do governo da Nicarágua, que reporta seis casos confirmados da doença apesar de não aplicar restrições para impedir a propagação do coronavírus SARS-CoV-2, são preocupantes para as agências internacionais e não muito críveis para os peritos.

"É impressionante porque há mais casos em outros países e não aqui, e quando tivemos cinco casos, tivemos uma taxa de mortalidade de 20%, que é muito elevada em comparação com uma taxa de mortalidade inferior a 1% na Guatemala", disse à Agência Efe o epidemiologista Leonel Argüello, um dos fundadores do Ministério da Saúde da Nicarágua.

As autoridades nicaraguenses afirmam que todos os seis casos, que já deixaram um morto, foram "importados", o que significa que não há contágio local.

As alegações da Nicarágua contradizem as do governo de Cuba, que já notificou três pacientes com covid-19 relacionados com a Nicarágua, incluindo dois que tinham o país centro-americano como "fonte de infecção". Já o Observatório Cidadão covid-19, que funciona de forma independente, reporta 144 casos suspeitos.

"A alta comissária Michelle Bachelet declarou que 'os direitos humanos devem estar no centro da resposta à covid-19. Ser claro e transparente é fundamental para capacitar e incentivar as pessoas a participar das medidas destinadas a proteger a saúde'", afirmou o ACNUDH em mensagem no Twitter relacionada à Nicarágua.

Argüello ressaltou que, embora cada país possa decidir quantos casos informar, o importante é tomar medidas de prevenção o mais rapidamente possível, independentemente de o coronavírus estar generalizado na Nicarágua ou não.

"O que torna isto mais complicado é não ter um programa de prevenção forte que alerte as pessoas. O governo tem de fazer a prevenção para evitar que uma pessoa fique doente e vá para o hospital, que é onde a morte é evitada, por isso tem de se concentrar em evitar o contágio", disse o médico.

O governo do presidente Daniel Ortega continuou hoje a promover atividades em massa nas praias e nos centros urbanos.

"Preocupam a ausência de medidas de distanciamento físico (indicadas) pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a falta de acesso à informação sobre testes e controles", acrescentou o Ancudh.

A directora da OPAS, Carissa F. Etienne, já tinha expressado "preocupação" com a atitude do governo nicaraguense, à qual se referiu como "prevenção e controle inadequados das infecções".

A pouca e confusa informação fornecida pelas autoridades nicaraguenses sobre a pandemia levou os cidadãos a tomarem as próprias medidas de prevenção, como o distanciamento social, a quarentena voluntária e a utilização de máscaras e álcool em gel.

Coronavírus