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Mais de 300 mil africanos podem morrer por causa da covid-19, alerta ONU

Pessoas lavam suas mãos antes de reunião na África do Sul - Alet Pretorius/Gallo Images via Getty Images
Pessoas lavam suas mãos antes de reunião na África do Sul Imagem: Alet Pretorius/Gallo Images via Getty Images

em Adis Abeba (Etiópia)

16/04/2020 17h07

A Comissão Econômica das Nações Unidas para a África (UNECA, na sigla em inglês) advertiu hoje que mais de 300 mil africanos podem morrer devido à pandemia da covid-19, que já foi registrada em 52 dos 54 países do continente.

A África é especialmente vulnerável "porque 56% da população urbana se concentra em bairros da periferia ou habitações informais, e apenas 34% das residências africanas têm acesso a instalações básicas para lavar as mãos", informou a UNECA em comunicado.

Essas estimativas estão no relatório "Covid-19: Proteger vidas e economias africanas", cujas conclusões foram antecipadas antes da publicação virtual, na sexta-feira.

Paralelamente à crise de saúde, a pandemia continua a impactar as economias da África, "cujo crescimento deve diminuir de 3,2% a 1,8% no melhor dos casos, empurrando cerca de 27 milhões de pessoas à extrema pobreza".

"Para proteger e construir a prosperidade comum do continente, são necessários US$ 100 bilhões para proporcionar urgente e imediatamente margem fiscal a todos os países e ajudar a abordar as imediatas necessidades das populações", afirmou a secretária executiva da UNECA, Vera Songwe.

De acordo com a economista camaronesa, os custos econômicos da pandemia foram mais graves do que o impacto direto da covid-19.

"No continente, todos os países estão sofrendo o choque súbito das economias. A distância física necessária para gerir a pandemia está sufocando e afogando a atividade econômica", comentou.

Para atenuar a crise, a Comissão propõe, entre outras medidas, "esforços concertados para manter o fluxo do comércio, especialmente no fornecimento de medicamentos essenciais e de alimentos básicos".

Songwe recomendou que as políticas implementadas para responder ao impacto do coronavírus levem em conta as mulheres, que "estão à frente e atrás desta crise, são as nossas enfermeiras e gerem muitas pequenas empresas".

O Centro Africano de Controle de Doenças (Africa CDC) informou nesta quinta-feira que serão necessários 15 milhões de testes de detecção nos próximos meses para conter a pandemia da covid-19 no continente e que disponibilizará um milhão na próxima semana.

"Sabemos que algo precisa ser feito para promover os testes. O CDC Africa, apesar dos nossos recursos limitados, fornecerá um milhão de testes para impulsionar vigorosamente o programa e fazer com que outros nos apoiem nisto", disse o chefe da agência da União Africana (UA), o camaronês John Nkengasong, em entrevista coletiva virtual.

Até o momento, a África do Sul, o país com mais casos de Covid-19 no continente (2.506 casos e 34 mortes), tem a política de testes mais agressiva, com mais de 80 mil testes realizados, enquanto os dois países mais populosos, Nigéria e Etiópia, não realizaram mais de 5.000 testes.

O continente totaliza mais de 17 mil casos confirmados e 900 mortes, sendo África do Sul, Egito (2.505), Argélia (2.160), Marrocos (2.024) e Camarões (848) os países mais impactados.

Além da contribuição do CDC Africa, que começará a ser distribuída na próxima semana, a fundação do bilionário chinês Jack Ma doou também, a cada um dos 54 países, 20 mil, além de máscaras e proteções faciais.

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