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Coronavírus

Governo dos EUA censurou discursos defendendo uso de máscaras por crianças

Assessor de imprensa do Departamento de Saúde vetava conteúdos de entrevistas de Anthony Fauci (foto), diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas e Alergias dos EUA - Reuters
Assessor de imprensa do Departamento de Saúde vetava conteúdos de entrevistas de Anthony Fauci (foto), diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas e Alergias dos EUA Imagem: Reuters

Da EFE, em Washington (EUA)

10/09/2020 13h11

E-mails acessados pelo jornal Politico mostram que um funcionário do Departamento de Saúde dos Estados Unidos tentou censurar o principal epidemiologista do governo, Anthony Fauci, para impedi-lo de promover o uso de máscaras em crianças como forma de tentar conter a propagação do coronavírus.

As correspondências mostram que Paul Alexander, assessor de imprensa do Departamento de Saúde, tentou interferir no discurso de Fauci para o público através de entrevistas a veículos como Bloomberg, BuzzFeed e Huffington Post, além da revista especializada Cell.

Em particular, Alexander se dedicou a fazer avançar algumas das posições do presidente dos EUA, Donald Trump, que pediu a reabertura imediata de todas as escolas e durante meses contradisse os cientistas, questionando a eficácia das máscaras. Depois, no entanto, o chefe de governo precisou recuar.

Um dos e-mails de Alexander refere-se a um resumo que o escritório de imprensa havia preparado para uma entrevista que Fauci concederia à Bloomberg. "Ainda tenho um problema com crianças fazendo testes repetidos e até mesmo com estudantes universitários fazendo testes regularmente. E eu discordo do Dr. Fauci sobre isso. Com veemência", escreveu.

Em outra dessas correspondências, o funcionário do Departamento de Saúde pediu à assessoria de imprensa do órgão para não expor o epidemiologista fomentando o uso de máscaras por crianças.

"Vocês poderiam se certificar que o Dr. Fauci indica que as máscaras são para professores, não para crianças?", perguntou o funcionário: "Não há dados, nada, zero, no mundo inteiro, que mostre que as crianças, especialmente as mais novas, estão infectando outras crianças, adultos ou seus professores. Não há nada. E se isso acontecer, o risco é zero", acrescentou.

A revelação do Politico evidencia ainda mais as divergências entre Fauci, diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas e Alergias dos EUA, que tem relutado em reabrir escolas, e os conselheiros de Trump, que têm priorizado a recuperação da economia.

Além disso, a notícia veio depois que o jornalista Bob Woodward, conhecido por ajudar a descobrir o Watergate nos anos 70, revelou que o chefe de Estado sabia ainda em fevereiro que a pandemia da covid-19 poderia causar grandes estragos, mas minimizou a gravidade da doença para a população.

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