Líderes fazem tributo a Fidel Castro, mas criticam tirania

Por Vladimir Soldatkin e Diego Oré

MOSCOU/CARACAS (Reuters) - Líderes mundiais fizeram tributos neste sábado a Fidel Castro, o líder revolucionário cubano que construiu um Estado comunista na porta dos Estados Unidos e que tanto na vida quanto na morte dividiu opiniões.

Castro morreu na sexta-feira aos 90 anos, anunciou seu irmão mais novo e sucessor Raúl Castro na televisão estatal.

Mikhail Gorbachev, o último líder da União Soviética, que há muito tempo atuou como um suporte econômico e político para Cuba, disse que Castro deixou uma marca duradoura em seu país e na história mundial.

"Fidel manteve seu território e fortaleceu seu país na época do mais severo bloqueio norte-americano, no momento da pressão maciça sobre ele", disse Gorbachev, segundo a agência de notícias Interfax. "No entanto, ele levou seu país do bloqueio para o caminho do desenvolvimento auto-sustentado e independente."

Num telegrama de condolências a Raúl Castro, o presidente russo, Vladimir Putin, chamou o falecido líder cubano de "um exemplo inspirador para muitos países".

"Fidel Castro era um amigo franco e experimentado da Rússia", disse o Kremlin citando a mensagem.

Na Venezuela, aliado de longa data de Cuba e firme opositor da postura política dos Estados Unidos, o presidente Nicolás Maduro disse que Castro inspirou e continuará a inspirar seu país.

"Continuaremos vencendo e continuaremos lutando, Fidel Castro é um exemplo da luta para todos os povos do mundo. Iremos adiante com seu legado", disse Maduro à televisão Telesur por telefone.

Na Bolívia, onde Ernesto "Che" Guevara morreu em 1967 em uma tentativa fracassada de exportar a revolução cubana, o presidente Evo Morales disse em declaração: "Fidel Castro nos deixou um legado de ter lutado pela integração dos povos do mundo ... A partida do Comandante Fidel Castro realmente dói."

O presidente equatoriano, Rafael Correa, disse: "Um grande deixou-nos, Fidel morreu, viva Cuba, viva a América Latina!"

No Brasil, o presidente Michel Temer afirmou em comunicado que "Fidel Castro foi um líder de convicções. Marcou a segunda metade do século 20 com a defesa firme das ideias em que acreditava."

O papa Francisco afirmou que a morte de Fidel é uma notícia triste e que vai rezar por ele em suas orações. "Expresso meus sentimentos de pesar a vossa excelência (Raúl Castro) e aos demais familiares, assim como ao governo e ao povo desta amada nação", disse Francisco em comunicado transmitido em espanhol.

PAPEL NA ÁFRICA

O presidente sul-africano, Jacob Zuma, agradeceu o líder cubano por sua ajuda e apoio na luta para derrubar o apartheid.

"O presidente Castro se identificou com nossa luta contra o apartheid. Ele inspirou o povo cubano a se juntar a nós em nossa luta contra o apartheid", declarou Zuma em comunicado.

O presidente francês, François Hollande, lamentou a perda de uma figura importante no cenário mundial e celebrou a aproximação entre Havana e Washington, embora salientando as preocupações com os direitos humanos sob o regime de Castro.

"Fidel Castro era uma figura imponente do século XX. Ele encarnou a revolução cubana, em suas esperanças e desilusões subsequentes", disse Hollande em comunicado.

"A França, que condenou os abusos de direitos humanos em Cuba, igualmente desafiou o embargo norte-americano a Cuba, e a França ficou satisfeita de ver os dois países restabelecerem o diálogo e retomarem os laços entre si,", acrescentou o líder do Partido Socialista francês.

Hollande conheceu Fidel Castro em maio de 2015, durante a primeira visita de um chefe de Estado francês a Cuba desde a revolução cubana.

FIM DO "TIRANO"

Em contraste, a reação de alguns cubanos que vivem nos Estados Unidos foi contundente e comemorativa.

A deputada norte-americana Ileana Ros-Lehtinen, uma cubano-americana e republicana de Miami, disse em comunicado: "um tirano está morto e um novo começo pode amanhecer sobre o último bastião comunista restante do hemisfério ocidental."

Em Miami, na área circundante do restaurante Versailles, onde vivem muitos exilados que fugiram da revolução cubana, as pessoas tomaram as ruas nas primeiras horas deste sábado para celebrar a morte de Fidel Castro.

Centenas de pessoas reuniram-se agitando bandeiras, batendo panelas e carregando guarda-chuvas para protegê-los da chuva constante.

"Este é o dia mais feliz da minha vida, os cubanos estão finalmente livres", disse Orlidia Montells, uma mulher de 84 anos.

(Com reportagem adicional de Simon Gardner na Cidade do México, Lisandra Paraguassu em Brasília, Mfuneko Toyana em Johanesburgo, Sudip Kar-Gupta em Paris, Nicole Martinez em Miami, Hugh Lawson e Philip Pullella no Vaticano)

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