Procurador especial dos EUA aumenta pressão sobre ex-assessores da campanha de Trump com nova acusação

Por Sarah N. Lynch e Jonathan Landay

WASHIGNTON (Reuters) - O procurador especial dos Estados Unidos, Robert Mueller, aumentou pressão nesta terça-feira para dois ex-assessores da campanha do presidente Donald Trump cooperarem com a investigação sobre possível conluio com a Rússia, tirando confidencialidade de uma acusação criminal contra um advogado por mentir para seus investigadores.

O advogado, Alex van der Zwaan, genro de um dos homens mais ricos da Rússia, se declarou culpado em tribunal em Washington por uma acusação de mentir ao escritório do procurador especial. Um juiz norte-americano estabeleceu sua sentença para 3 de abril.

O caso envolve trabalhos que van der Zwaan, de 33 anos e sediado em Londres, realizou em 2012 sobre a Ucrânia para Paul Manafort e Rick Gates, autoridades seniores na campanha eleitoral de Donald Trump em 2016.

Os dois ex-assessores foram acusados de conspiração para lavagem de dinheiro e falha em se registrarem como agentes estrangeiros em relação ao trabalho para um partido ucraniano pró-Rússia.

A acusação contra van der Zwaan não fez referências à campanha de Trump ou à eleição de 2016.

Mas especialistas jurídicos disseram que a acusação coloca mais pressão para os ex-assessores de Trump cooperarem com Mueller, conforme ele analisa se a Rússia tentou influenciar a eleição a favor de Trump ao invadir emails de líderes democratas e distribuir online informações falsas e propagandas.

No ano passado, agências de inteligência dos EUA descobriram que a Rússia havia se envolvido na eleição e que suas metas eventualmente incluíam auxiliar Trump, que derrotou a rival democrata Hillary Clinton em um resultado surpreendente.

O caso do advogado aparenta destacar a extensão da investigação de Mueller e de sua interpretação de quão amplamente pode investigar.

Na sexta-feira, Mueller acusou uma entidade russa de propaganda e 13 cidadãos russos por crimes relacionados a suas supostas interferências na eleição.

Manafort, que foi gerente da campanha de Trump por quase cinco meses em 2016, e Gates, que foi vice-gerente de campanha, se declararam inocentes no ano passado das acusações de Mueller.

O sogro do advogado van der Zwaan é o bilionário russo German Khan, fundador do banco privado Alfa Bank. Khan foi recentemente citado em uma lista de oligarcas russos próximos ao Kremlin que foi divulgada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

Mesmo que van der Zwaan "esteja somente cooperando contra Paul Manafort, isto pode ser muito valioso no quadro geral. Procuradores tipicamente começam muito metodicamente com infratores de níveis menores e tentam subir a cadeia", disse Barbara McQuade, ex-procuradora dos EUA para Michigan. "Meu palpite é que ele está cooperando."

Um ex-associado de Mueller descreveu o ex-diretor do FBI como uma "jiboia", cuja estratégia de investigação envolve aumentar progressivamente a pressão sobre seus alvos. O ex-associado falou em condição de anonimato.

Um julgamento para Manafort e Gates deve tentativamente acontecer no final deste ano, embora relatos recentes da mídia tenham afirmado que Gates deve se declarar culpado no futuro próximo. Caso Gates concorde em cooperar na investigação, isto pode colocar mais pressão sobre Manafort e outros que trabalharam na campanha de Trump.

(Reportagem adicional de Warren Strobel, Nathan Layne, Doina Chiacu, John Walcott e Mark Hosenball)

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