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Caminhoneiros bloqueiam estradas do Chile e se somam a movimento de protesto

Pessoas protestam com seus carros, caminhões e táxis em Santiago - Pablo Vera/AFP
Pessoas protestam com seus carros, caminhões e táxis em Santiago Imagem: Pablo Vera/AFP

Natalia Ramos

Em Santiago

25/10/2019 10h59

Manifestantes convocaram marchas em Santiago e em outras cidades do Chile nesta sexta-feira na esperança de reunir milhares de pessoas nas ruas ao fim de uma semana de protestos intensos contra o modelo econômico do país, que já deixaram 19 mortos, milhares de detidos e danos enormes.

O Chile viu o dia começar com caravanas de caminhões que detinham o fluxo nas principais rodovias de acesso à capital, em um protesto contra a cobrança de pedágios em estradas, que foram concedidas em sua maior parte ao setor privado a partir da década de 1990.

Santiago tinha mais linhas de metrô operando parcialmente, uma recuperação paulatina em relação ao fim de semana passado, quando o serviço suspendeu completamente suas operações na esteira de ataques a dezenas de estações — o que levou os militares a assumirem o controle da segurança da capital.

"Está tudo difícil. Difícil para se locomover, para tudo. Isso tinha que acontecer, tudo bem, mas está difícil para chegar aqui, para se movimentar", disse à Reuters Sergio Pérez, um vendedor ambulante de frutas no centro de Santiago, que parecia mais vazio do que nos dias anteriores e com mais gente caminhando.

As mobilizações, que começaram com um clamor para as pessoas não pagarem a passagem de metrô devido a um aumento de tarifas, logo congregaram diversas reivindicações sociais, como saúde, educação e aposentadorias, em uma das economias mais estáveis, mas, ao mesmo tempo, mais desiguais, da América Latina.

Até agora o movimento não mostrou uma liderança clara, e as convocações aconteceram principalmente através de redes sociais. A ação desta sexta-feira chamava para "A Maior Marcha do Chile" a partir das 20h na Praça Itália, localizada a pouca distancia do palácio presidencial em Santiago.

Manifestações semelhantes foram convocadas em outras cidades do Chile, que está quase totalmente sob vigilância militar desde que o presidente Sebastián Piñera decretou um estado de emergência na madrugada de sábado, primeiro em Santiago e depois em muitas outras regiões do país.

As mobilizações inicialmente pacíficas da última semana degeneraram em saques e violência, especialmente nos bairros mais pobres dos arredores de Santiago. Os protestos resultaram em mais de 6 mil detidos e ao menos 19 mortos, apesar do toque de recolher em vigor durante a semana.

A Justiça também investiga se agentes de segurança cometeram abusos no uso da força para reprimir as manifestações, como apontam organizações de defesa dos direitos humanos locais.

(Reportagem adicional de Fabián Cambero e Dave Sherwood)

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