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Internacional

Mais estados americanos iniciam abertura com risco de desemprego chegar a 16%

26/04/2020 14h29

Por Nick Brown e Brendan O'Brien

NOVA YORK / CHICAGO (Reuters) - Um novo grupo de estados norte-americanos está se preparando para suspender esta semana as restrições de circulação causada pela epidemia de coronavírus, mesmo contra os avisos de muitos especialistas em saúde pública, com a intenção de minorar uma taxa de desemprego que, segundo a Casa Branca, deve chegar este mês em 16% ou mais.

Especialistas em saúde dizem que o aumento da interação humana pode desencadear uma nova onda de casos de COVID-19, a doença respiratória causada pelo vírus altamente contagioso que já matou mais de 54.300 americanos.

Colorado, Mississippi, Minnesota, Montana e Tennessee se unirão a outros estados, iniciando um experimento para reabrir economias mesmo sem ter testes e a infraestrutura para rastrear contatos que especialistas apontam como essenciais para evitar o ressurgimento de infecções.

Geórgia, Oklahoma, Alasca e Carolina do Sul já tomaram medidas para reiniciar suas economias após um mês de bloqueios ordenados pelo governo.

Essas restrições de circulação sem precedentes resultaram em um recorde de 26,5 milhões de americanos solicitando subsídios de desemprego desde meados de março. O Escritório de Orçamento do Congresso previu na sexta-feira que a economia se contrairia a uma taxa anual de quase 40% no segundo trimestre. Mesmo no próximo ano, a CBO prevê uma taxa de desemprego média acima de 10%.

O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, disse a repórteres que a taxa de desemprego nos EUA provavelmente atingirá 16% ou mais em abril.

"Acho que os próximos meses vão parecer terríveis", disse Hassett no domingo. "Você verá números tão ruins quanto qualquer coisa que já vimos antes."

Em meio a protestos espalhados por todo o país pedindo que as ordens de isolamento sejam levantadas, os casos de Covid-19 nos EUA superaram 940.000 no domingo, depois de registrar um aumento recorde na sexta-feira.

Nova York e outros estados estenderam as restrições até meados de maio. Nova York registrou 367 novas mortes no domingo, o menor aumento desde 30 de março. O governador democrata Andrew Cuomo disse que o setor de construção e a indústria seriam os primeiros a reabrir e poderiam recomeçar após 15 de maio na região norte do estado, com certas precauções e se os casos continuarem em declínio.

Outros estados, principalmente aqueles com governadores republicanos, adotaram uma abordagem mais agressiva.

O Tennessee disse que permitirá a reabertura de restaurantes na segunda-feira, quando vence o decreto de isolamento do estado. Montana, que relatou três novos casos no domingo, está permitindo que as empresas reabram na segunda-feira se limitarem a capacidade e praticarem o distanciamento social, enquanto Minnesota deixará algumas empresas recomeçarem no mesmo dia, permitindo que entre 80.000 a 100.000 pessoas voltem ao trabalho. No Colorado, o governador democrata Jared Polis deu sinal verde para que o varejo volte na segunda.

Royal Rose reabrirá seu estúdio de tatuagem em Greenly, Colorado, nesta semana, depois de fechar um mês atrás, não porque ela queira, mas porque as contas estão se acumulando e ela diz que não tem escolha.

"Eu ficaria em casa se o governo encorajasse isso, mas não está, dizendo: 'Ei, a melhor coisa a fazer é voltar ao trabalho, mesmo que possa ser arriscado'", disse Rose, 39 anos, sentada dentro de seu salão, em um prédio com paredes de madeira, em uma rua arborizada da cidade agrícola e petrolífera.

Oito estados nunca tiveram restrições - Arkansas, Iowa, Nebraska, Dakota do Norte, Oklahoma, Dakota do Sul, Utah e Wyoming.

Várias pesquisas de opinião mostraram que a maioria bipartidária dos americanos deseja permanecer em casa para se proteger do coronavírus, apesar do impacto na economia.

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