Chefe da Otan pede gastos de defesa muito maiores para enfrentar a Rússia

BRUXELAS (Reuters) - O chefe da Otan, Mark Rutte, alertou a aliança transatlântica liderada pelos EUA nesta quinta-feira que ela não está preparada para as ameaças que enfrentará da Rússia nos próximos anos e pediu uma mudança para uma mentalidade de guerra -- com gastos de defesa muito maiores.

Rutte disse que os gastos futuros teriam que ser muito maiores do que a meta atual da aliança de 2% do Produto Interno Bruto (PIB).

"A Rússia está se preparando para um confronto de longo prazo, com a Ucrânia e conosco", disse Rutte em um discurso em Bruxelas.

"Não estamos preparados para o que virá em quatro ou cinco anos", disse o secretário-geral da Otan, acrescentando: "É hora de mudar para uma mentalidade de guerra e turbinar nossa produção e gastos com defesa."

A aliança estima que 23 de seus 32 membros atingirão a meta de 2% este ano.

"Durante a Guerra Fria, os europeus gastaram muito mais do que 3% de seu PIB em defesa", disse Rutte. "Vamos precisar de muito mais do que 2%", acrescentou.

Os membros da Otan estão enfrentando a pressão renovada do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, que pediu que os aliados dos EUA gastem 3% do PIB em defesa.

Rutte, ex-primeiro-ministro holandês, disse que a aliança deve aumentar a produção de defesa, pedindo aos governos que "parem de criar barreiras entre si e entre indústrias, bancos e fundos de pensão".

Ele enviou uma mensagem ao setor de defesa: "Há dinheiro na mesa, e ele só aumentará. Portanto, ousem inovar e assumir riscos".

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O chefe da Otan também alertou sobre uma "campanha coordenada para desestabilizar nossas sociedades", incluindo ataques cibernéticos e tentativas de assassinato.

Rutte também alertou sobre as ambições da China, dizendo que Pequim está aumentando substancialmente suas forças "sem transparência e sem limitações".

(Reportagem de Lili Bayer)

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