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França: Macron renuncia à própria aposentadoria, mas greve continua

O presidente da França, Emmanuel Macron - Ludovic Marin - 10.set.2019/AFP
O presidente da França, Emmanuel Macron Imagem: Ludovic Marin - 10.set.2019/AFP

22/12/2019 08h30

O apelo do presidente francês, Emmanuel Macron, por uma trégua na greve contra a reforma da previdência e o anúncio de que ele renuncia à aposentadoria a que terá direito como ex-presidente não mudaram em nada a determinação dos grevistas. Os sindicatos mantêm a decisão de não retomar as atividades durante as festas de fim de ano. A paralisação causa transtornos para milhares de franceses que ficarão sem trens nessa véspera de Natal.

Neste sábado (21), durante uma viagem à Costa do Marfim, Macron disse que "os movimentos de greve se justificam e são constitucionalmente protegidos". Entretanto, afirmou que "há momentos na vida de uma nação nos quais é importante saber fazer uma trégua para respeitar as famílias".

"Todos compreenderão que não significará uma aceitação ou um abandono", disse o presidente, que ainda evocou "o respeito devido às francesas e franceses que, quando separados, querem se reencontrar neste momento de festas".

Oposição: aposentadoria de ex-presidente "não faz diferença" para Macron

Em Paris, o Palácio do Eliseu acrescentou que o presidente abrirá mão da futura aposentadoria de ? 6.220, a que terá direito após deixar o cargo. Macron, que estava de aniversario neste sábado, será o primeiro chefe de Estado a recusar o benefício, instaurado em 1955. Ele também decidiu que não vai ocupar a cadeira perpétua no Conselho Constitucional francês, a que os ex-presidentes têm direito e por cujas atividades recebem ? 13,5 mil.

Mas a medida foi sem efeito. Líderes da esquerda afirmam que, de qualquer forma, o benefício é anacrônico e também deveria ser definitivamente abolido, assim como propõe o governo em relação às 42 aposentadorias especiais em vigor no país. Além disso, para o secretário-geral do Partido Comunista Francês, deputado Fabien Roussel, o dinheiro "não faria diferença" para Macron, que "acumulou milhões na época em que trabalhava para o banco Rothschild", antes de ser presidente.

Este domingo (22) é o 18° dia consecutivo de greve de diversas categorias profissionais na França, em especial a dos ferroviários e metroviários. Além d ofim de benefícios especiais, eles se opõem à instauração de um novo sistema de pontos, previsto no projeto de reforma. Segundo os opositores do texto, a contagem vai prejudicar aqueles que começaram a contribuir tarde para a Previdência.

Apoio popular recua, mas segue majoritário

Uma nova pesquisa publicada pelo Journal du Dimanche indica que o apoio ao movimento social perdeu força na última semana, embora ainda conte com a simpatia da maioria da população. A sondagem do instituto Ifop apontou que 51% dos franceses têm uma opinião positiva sobre a greve, contra 54% no domingo passado.

No mesmo jornal, o secretário de Estado para a Previdência garantiu que o governo "não vai ceder" na delicada questão do fim dos regimes especiais. "As propostas que foram oferecidas para a RATP [operadora do metrô de Paris] e a SNCF [companhia ferroviária nacional] devem permitir um retorno ao trabalho", frisou Laurent Pietraszewski, que assumiu o cargo nesta semana após um escândalo fiscal envolvendo o secretário anterior.

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