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Coronavírus: França restringe venda de substitutos da nicotina para impedir uso em massa

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Imagem: iStock

24/04/2020 11h56

A venda de substitutos da nicotina em farmácias foi restringida pelo governo francês nesta sexta-feira (24) e sua venda foi suspensa na internet para impedir a compra maciça de adesivos, chicletes ou pílulas à base do produto, após o anúncio de um possível efeito protetor da nicotina contra o novo coronavírus.

Na quarta-feira (22), pesquisadores franceses levantaram a hipótese de que a nicotina poderia ter um efeito protetor contra a covid-19. Nesta sexta-feira, o governo francês declarou que foi obrigado a restringir a compra de adesivos de nicotina, chicletes ou pílulas com o produto, que, em vez de serem destinados a quem deseja parar de fumar, podem se converter em uma "medida preventiva" contra a infecção causada pelo novo coronavírus.

O objetivo desta decisão é "por um lado, prevenir os riscos à saúde relacionados ao consumo excessivo ou ao uso indevido destes produtos, que poderiam estar vinculados à cobertura da mídia sobre uma possível ação protetora da nicotina contra o covid-19", diz o decreto publicado no Diário Oficial. O governo francês visa também "por outro lado [garantir] um suprimento contínuo e adequado às pessoas que precisam de apoio médico no contexto de eliminarem o vício do tabagismo".

Fornecimento limitado

"Até 11 de maio de 2020, o fornecimento pelas farmácias à população de produtos que contêm nicotina e são utilizados no tratamento da dependência do tabaco será limitado ao número de caixas necessárias para o tratamento relativo a um mês", diz ainda o texto do decreto.

"O número de caixas entregues individualmente é formalizado no registro farmacêutico, independentemente do paciente apresentar ou não uma prescrição médica", diz o documento. Além disso, "a venda desses produtos pela internet" foi "suspensa", determinou o governo francês.

"Convido os franceses a não estocarem adesivos [de nicotina], ressaltou o ministro da Saúde Olivier Véran na rádio France Inter nesta sexta-feira, lembrando que "70.000 mortes causadas pelo tabaco ocorrem todos os anos na França".

A nicotina é considerada por Véran como "uma pista interessante" no combate à pandemia. "Existem derivados da nicotina que podem ser desenvolvidos em laboratório e que evitariam os efeitos aditivos dessa substância", ressaltou.