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Hong Kong: jornal pró-democracia Apple Daily publica última edição nesta quinta

24/06/2021 07h15

Vários cibermilitantes em Hong Kong decidiram arquivar, em plataformas digitais decentralizadas, as edições do jornal pró-democracia de Hong Kong Apple Daily, que será publicado pela última vez nesta quinta-feira (24). O diário, criado há 26 anos, anunciou nesta terça-feira que encerraria suas atividades depois de ter seus ativos congelados e alguns de seus dirigentes detidos.

Vários cibermilitantes em Hong Kong decidiram arquivar, em plataformas digitais decentralizadas, as edições do jornal pró-democracia de Hong Kong Apple Daily, que será publicado pela última vez nesta quinta-feira (24). O diário, criado há 26 anos, anunciou nesta terça-feira que encerraria suas atividades depois de ter seus ativos congelados e alguns de seus dirigentes detidos.

As decisões tomadas contra o jornal foram possíveis graças à nova lei sobre a Segurança Nacional imposta pela China no ano passado, que deu origem a diversas manifestações contra o governo. O texto autoriza o governo a pedir o bloqueio ou a supressão de conteúdos considerados "subversivos". As autoridades locais afirmam, entrentanto que o uso da Internet não será impactado pela nova legislação.

Os jornalistas do Apple Daily disseram que planejam imprimir um milhão de exemplares durante a noite, uma quantidade espantosa já que Hong Kong que possui 7,5 milhões de habitantes.Os funcionários expressaram uma grande tristeza pelo fechamento do jornal e a perda de cerca de 1.000 empregos. "Tenho dezenas de milhares de palavras no meu coração, mas estou sem palavras neste momento", disse Ip Yut-kin, presidente da empresa matriz do jornal, a Next Digital.

Apoio ao movimento pro-democracia

O Apple Daily expressou apoio durante anos ao movimento pró-democracia e nunca parou de criticar abertamente as autoridades chinesas. Pequim sempre tentou calar o jornal e utilizou a lei de segurança nacional para atrapalhar o trabalho do jornal. O proprietário do Apple Daily, Jimmy Lai, atualmente detido e condenado a vários anos de prisão pela sua participação nos protestos pró-democracia de 2019, foi um dos primeiros a ser acusado sob essa nova lei.

O capítulo final do jornal, criado há 26 anos, ocorreu na última semana, quando as autoridades realizaram uma operação de busca e revista na redação do jornal, prenderam seis responsáveis e congelaram seus ativos. Essa intervenção paralisou completamente a capacidade do jornal para continuar os negócios e pagar seus funcionários.

 Nesta quarta-feira, o ministro britânico das Relações Exteriores, Dominic Raab, disse que o fim do jornal é "assustador".  "O fechamento forçado do @AppleDaily_HK por parte das autoridades de Hong Kong é uma demonstração assustadora de sua campanha para silenciar todas as vozes da oposição", escreveu Raab no Twitter.

Acusações

Pequim alegou que as acusações contra o Apple Daily se devem a matérias e colunas que supostamente apoiavam as sanções internacionais contra a China, uma opinião que agora é considerada ilegal. Essa foi a primeira vez que opiniões políticas publicadas por um veículo de comunicação de Hong Kong provocaram ações judiciais amparadas na lei de segurança nacional.

Cinco executivos, entre eles o editor-chefe Ryan Law e o diretor-executivo Cheung Kim-hung, foram detidos na semana passada, acusados de conivência com forças estrangeiras para fragilizar a segurança nacional chinesa. Na quarta-feira, a polícia prendeu Yeung Ching-kee, que escreve sob o pseudônimo de Li Ping, e é um dos principais colunistas do jornal.

Na quarta-feira, começou em Hong Kong o primeiro julgamento sem júri de infração dessa lei de segurança nacional. O réu, Tong Ying-kit, de 24 anos, é acusado de terrorismo, incitação à secessão e comportamento perigoso por ter atropelado com moto um grupo de policiais, três dos quais ficaram feridos, em 1º de julho de 2020, horas depois da entrada da lei em vigor.

Com informações da AFP