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3 meses

Covid: França tem maior número de casos na Europa, mas quer relaxar medidas

23.dez.2021 - Homem faz teste para detecção do coronavírus em Paris, capital da França - Stephane de Sakutin/AFP
23.dez.2021 - Homem faz teste para detecção do coronavírus em Paris, capital da França Imagem: Stephane de Sakutin/AFP

Da RFI

26/01/2022 12h50Atualizada em 26/01/2022 13h25

Os jornais franceses desta quarta-feira (26) se preocupam com o imenso aumento do número de casos de covid-19 na França, em um momento em que o país se prepara para flexibilizar as restrições. Mais de meio milhão de contaminações foram registradas nas últimas 24 horas.

O jornal Le Parisien destaca que a França é o país que mais registra infecções por Covid-19 na Europa, batendo novos recordes quase que diariamente. Na reportagem "Campeões das contaminações", o diário recorda que se esperava que o pico desta nova onda fosse registrado em meados de janeiro. No entanto, "a trajetória da epidemia tomou a velocidade de um foguete, algo jamais visto", observa o texto.

O motivo desta aceleração vertiginosa é "o tsunami ômicron", escreve Le Parisien. A variante representa atualmente 96% dos novos casos de covid-19, com "um nível de transmissão inédito", diz o infectologista francês Denis Malvy ao diário.

Em proporção à população, a França perde apenas para a Dinamarca em novas infecções na Europa. Essa grande diferença em relação a países castigados pelas ondas precedentes ocorre porque a França apostou apenas na vacinação para desacelerar os contágios pela variante delta, no final do ano passado. Já Alemanha, Áustria e Holanda apertaram as restrições, permitindo que seus sistemas de saúde sofressem menos pressão e pudessem enfrentar melhor a ômicron, avalia Le Parisien.

Marcha à ré no otimismo

O jornal Libération afirma que os epidemiologistas que previam uma queda dos novos casos neste momento estão tendo que rever suas avaliações. Os especialistas agora voltam atrás no tom otimista adotado em meados de janeiro, o que fez com que o governo francês anunciasse uma flexibilização das medidas a partir de 2 de fevereiro.

Libération lembra que Jean-François Delfraissy, presidente do Conselho Científico — célula criada para orientar o governo francês durante a pandemia -, está convencido de que a onda de hospitalizações será intensa até meados de março.

Os alertas da agência de Saúde Pública da França também contradizem o governo. O órgão adverte que é prematuro considerar que o pico da ômicron foi atingido e que a incidência do vírus continua aumentando de uma semana para a outra.

Subvariante BA.2

O jornal La Croix destaca a detecção na França de uma subvariante da ômicron, chamada de BA.2, que, segundo especialistas, é ainda mais contagiosa. Muitas dúvidas pairam sobre a nova linhagem, como o impacto sobre formas graves da Covid-19 e seu poder de recontaminação. Outros dois países — Reino Unido e Dinamarca — apresentam taxas mais elevadas da BA.2 do que a França. Por isso, médicos franceses entrevistados pelo diário pedem que a vigilância e a prudência continuem sendo a regra.

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