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Otan e UE condenam fortemente invasão russa na Ucrânia; europeus anunciarão novas sanções

24/02/2022 07h35

A Otan convocou uma reunião de emergência com os embaixadores dos países-membros da organização nesta quinta-feira (24) para avaliar a invasão russa na Ucrânia. Líderes da União Europeia repudiaram a escalada do conflito, que pode provocar a fuga de até cinco milhões de pessoas.

A Otan convocou uma reunião de emergência com os embaixadores dos países-membros da organização nesta quinta-feira (24) para avaliar a invasão russa na Ucrânia. Líderes da União Europeia repudiaram a escalada do conflito, que pode provocar a fuga de até cinco milhões de pessoas.

Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Bruxelas

Horas depois do presidente russo, Vladimir Putin, ter anunciado o início de uma operação militar na Ucrânia, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, condenou o ataque "imprudente e não provocado" da Rússia e lamentou que Moscou optou pelo "caminho da agressão contra um país soberano e independente", colocando em risco "milhares de vidas civis". Nesta quinta-feira, os embaixadores da aliança militar se reúnem em caráter de emergência na sede da Otan, em Bruxelas, para discutir a resposta da organização ao ataque.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou fortemente a "invasão injustificada" da Rússia em território ucraniano e avisou que novas sanções serão impostas pelos líderes do bloco europeu, que também divulgaram mensagens de repúdio à escalada do conflito. As novas sanções, segundo Von der Leyen, deverão visar setores estratégicos da economia russa, bloqueando seu acesso a "tecnologias essenciais e mercados". "Congelaremos os ativos russos na UE e bloquearemos o acesso dos bancos russos aos mercados financeiros europeus", detalhou a presidente da Comissão. A dirigente responsabilizou o presidente russo por causar uma guerra na Europa e, por isso, o bloco irá sancioná-lo, explicou.

O novo pacote de sanções será "o mais duro já implementado" pela União Europeia, de acordo com o chefe da diplomacia dos 27, Josep Borrell.

Esta estratégia de sanções evocadas por europeus e americanos é considerada pouco eficaz, na avaliação de analistas políticos de vários países do bloco. Além de tardias, defensivas e de não terem sido suficientes para impedir a ofensiva militar, elas também serão custosas para os europeus.    

Europa se prepara para nova onda de refugiados

A perspectiva de guerra na Ucrânia criou especulações sobre a rapidez da União Europeia em lidar com essa explosão de refugiados no Leste Europeu. Até o momento, Bruxelas se comprometeu apenas a enviar uma missão de treinamento militar à Kiev, aprovou um pacote de ajuda financeira no valor de € 1,2 bilhão e impôs robustas sanções contra Moscou.

Caberá aos governos fronteiriços do território ucraniano a decisão sobre o número de refugiados que pretendem receber neste conflito. A política migratória europeia continua sendo uma das questões mais controversas entre os governos do bloco. Polônia e Hungria, os dois países mais afetados pela crise na Ucrânia, se opõem ostensivamente ao sistema de cotas de imigração concebido pela UE.

Alguns analistas duvidam da capacidade da Polônia receber um milhão de ucranianos, como Varsóvia vem anunciando. Grupos de direitos humanos lembram o forte sentimento anti-imigração bastante presente na região e questionam o tratamento que será dado a esses novos refugiados.

Para os Estados Unidos, a invasão em larga escala da Rússia fará milhares de vítimas civis, entre mortos e feridos, e o fluxo de refugiados poderá chegar a cinco milhões de pessoas. De acordo com o prognóstico americano, os russos poderão tomar a capital ucraniana, Kiev, em apenas dois dias. Diante de uma ofensiva em larga escala, a única opção para milhares de ucranianos será deixar casa, terra, vínculos, uma vida inteira para trás, assim como os seus antepassados fizeram, nas diásporas ao longo da história da ex-república soviética

As diásporas ucranianas

A Ucrânia, segundo maior país da Europa, viveu grandes diásporas ao longo de sua história. A primeira foi no final do século XIX, quando mais de um milhão de ucranianos deixou o país; muitos deles eram colonos agrícolas que seguiram para as Américas e diferentes regiões da Europa.

Um novo fluxo de imigrantes partiu da Ucrânia após a brutal guerra civil no país, que aconteceu em paralelo ao conflito armado que sucedeu a Revolução de Outubro de 1917 na Rússia e a fase final da Primeira Guerra Mundial. Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo foram os destinos escolhidos pelos ucranianos ao chegar ao Brasil. Hoje, o país abriga a terceira maior comunidade ucraniana nas Américas, com 600 mil pessoas.

Em 1922, a Ucrânia foi completamente absorvida pela União Soviética. Logo depois, na época da coletivização forçada orquestrada pelo líder soviético Josef Stalin, uma grande onda de imigrantes políticos abandonou a Ucrânia. A política econômica imposta por Stalin aos camponeses ucranianos gerou a Grande Fome, que matou milhões de pessoas. Depois da Segunda Guerra Mundial, muitos ucranianos decidiram se estabelecer, principalmente, nos EUA, Canadá, Argentina e Brasil.