Boris Johnson reconhece 'equívocos' na gestão da pandemia e pede 'desculpas'

O ex-primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, pediu desculpas, nesta quarta-feira (6), pela "dor" e pelas "perdas" durante a pandemia de Covid-19 no Reino Unido. Ele admitiu, durante uma investigação pública, que se equivocou em algumas decisões.

"Entendo as vítimas da Covid-19 e suas famílias e sinto profundamente pela dor, perdas e sofrimento causados", afirmou Johnson, em Londres. "Sem dúvida erramos em algumas coisas", continuou o ex-premiê, que assume pessoalmente a responsabilidade pelas decisões tomadas. Ele será sabatinado nesta quarta e quinta-feira (7), após ter sido alvo de críticas de seus antigos assessores.

Desde o início das audiências em junho, vários cientistas disseram que o primeiro-ministro estava sobrecarregado, indeciso e pouco preocupado com as vítimas quando a pandemia começou em 2020.

"Esta foi a pior crise enfrentada pelo primeiro-ministro", declarou à comissão de investigação no final de junho Lee Cain, ex-diretor de comunicação de Downing Street. Segundo ele, Johnson não tomava decisões e mudava constantemente de opinião.

Defesa de Johnson

Nesta quarta-feira, Johnson tentou se defender das críticas. "Um grande número de decisões deviam ser tomadas muito rapidamente e ficaram concentradas apenas em mim", afirmou na audiência.

"Mas também houve um grande número de decisões, e acho que isso pode não ter sido tão comentado, que foram objeto de longas discussões no gabinete", acrescentou. "Pessoas muito talentosas e muito motivadas fazem o melhor que podem, mas como qualquer ser humano sob grande estresse, a tendência é criticar os outros", explicou.

Guto Harri, que foi diretor de comunicação de Johnson, defendeu seu ex-chefe nesta quarta-feira na Times Radio.

"A tragédia para mim é que três de seus assessores mais importantes tinham juntos um pequeno e patético grupo no WhatsApp. E simplesmente se queixavam do primeiro-ministro e sua esposa, quando deveriam executar as difíceis decisões tomadas por ele e os membros eleitos do gabinete", disse.

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Johnson preparou cuidadosamente sua defesa, lendo 6 mil páginas de documentos, durante horas com seus advogados, segundo o The Times.

Mais de 232 mil mortos

O ex-premiê correu risco de vida quando pegou a Covid-19, em abril de 2020. A pandemia deixou mais de 232 mil mortos no Reino Unido. "Temos uma população idosa e somos o segundo país mais povoado da Europa. Isso não ajudou", defendeu-se Johnson nesta quarta-feira.

O Reino Unido impôs seu primeiro lockdown aos britânicos em 23 de março de 2020, seguido por outros dois, considerados como os mais rigorosos da Europa. As revelações sobre as festas ilegais em Downing Street durante este período geraram escândalo e contribuíram para a queda de Johnson, que se foi obrigado a renunciar em julho de 2022.

Os trabalhos da comissão independente de investigação, presidida pela ex-juíza Heather Hallett, podem seguir até 2026.

(Com informações da AFP)

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