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Pampulha, em MG, é declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco

Divulgação/Belotur
Imagem: Divulgação/Belotur

Carlos Eduardo Cherem

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

17/07/2016 08h08Atualizada em 17/07/2016 11h48

O Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte, foi oficialmente declarado neste domingo (17), em Istambul, na Turquia, o 13º sítio do país considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco (Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Se considerados também os bens naturais considerados pela Unesco, a Pampulha passa a ser o 20º bem brasileiro inscrito na lista do patrimônio mundial.

A conquista do título foi aprovada após o referendo dos representantes de 21 países que participaram da 40ª reunião do Comitê de Cultura da Unesco na madrugada deste domingo (17), após ser adiada por 24 horas por causa da tentativa de golpe de Estado no país.

A Pampulha é o quarto sítio em Minas Gerais que recebe o título, que ainda tem a cidade de Ouro Preto, o centro histórico de Diamantina e o santuário do Senhor Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas, declarados patrimônio.

Criada na década de 1940 pelo então prefeito de Belo Horizonte, o ex-presidente Juscelino Kubistchek (1902-1976), para ser um centro de lazer e turismo, foram construídos na Pampulha quatro prédios de formas arredondadas, linhas simples e cores claras, a Igreja São Francisco de Assis, o Iate Tênis Clube, a Casa do Baile e o Museu de Arte, concebidos pelo arquiteto pelo arquiteto Oscar Niemeyer, com jardins do paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994) e pinturas de Cândido Portinari.

De acordo com a assessoria do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico), além de patrimônio cultural, o conjunto da Pampulha foi o primeiro sítio no mundo a receber o título de Paisagem Cultural do Patrimônio Moderno, que começou a ser concedido este ano pela Unesco.

Por meio de nota, logo após a decisão da Unesco, o governo brasileiro afirmou que  “a Unesco, ao reconhecer o valor universal excepcional da Pampulha, considerou o conjunto como símbolo de uma arquitetura moderna distante da rigidez do construtivismo e adaptada de forma orgânica às tradições locais e às condicionantes ambientais brasileiras”.

A nota ainda informa também que “a decisão recomenda também que o Brasil restaure elementos do complexo, amplie o plano de gestão para incorporar os compromissos assumidos no processo de avaliação da candidatura, estabeleça uma estratégia de turismo para a área e adote medidas para melhorar a qualidade da água da lagoa. Essas providências exigirão a ação conjunta dos governos federal, estadual e municipal, em harmonia com a comunidade local”.

De acordo com o Iphan, os dois títulos trazem benefícios que ajudarão os três níveis de governo (União, Estado e prefeitura) a cumprirem compromissos de preservação desses bens. Além disso, esses títulos podem representar um grande incremento ao turismo e pode também viabilizar verbas de fundos internacionais para cultura e turismo.

museu de arte da pampulha - Prefeitura de Belo Horizonte/Divulgação - Prefeitura de Belo Horizonte/Divulgação
Imagem: Prefeitura de Belo Horizonte/Divulgação

Museu de Arte

O prédio do Museu de Arte da Pampulha foi criado à época para tornar-se uma casa de jogos. O Cassino da Pampulha foi o primeiro projeto do conjunto arquitetônico idealizado por Oscar Niemeyer (1907-2012) a ficar pronto. Também conhecido como Palácio de Cristal, por causa dos vidros espelhados que cercam o prédio, o espaço foi inaugurado em 1943.

Os jardins que circundam o prédio foram planejados pelo paisagista Roberto Burle Marx. Estátuas de Alfredo Ceschiatti, August Zamoiski e José Pedrosa estão distribuídas pelos jardins do museu.

O espaço funcionou como cassino até 1946 quando foi fechado, com a proibição de jogos de azar no país. Ele entrou em um período de decadência até 1957, quando foi transformado no MAP (Museu de Arte da Pampulha). Hoje, ele abriga um acervo com cerca de 1.400 obras.

casa do baile - Adão de Souza/Prefeitura de Belo Horizonte - Adão de Souza/Prefeitura de Belo Horizonte
Imagem: Adão de Souza/Prefeitura de Belo Horizonte

Casa do Baile

Atualmente funcionando como Centro de Referência do Urbanismo, Arquitetura e do Design, a Casa do Baile foi criada para ser um local de espetáculos e jantares dançantes. Localizada em uma ilha artificial e ligada à orla por uma ponte de concreto, o prédio foi inaugurado em 1943. Na época, o local era ponto de encontro da elite econômica mineira.

Igreja de São Francisco

As curvas da Igrejinha da Pampulha, como é conhecida, emoldurada com azulejos pintados por Cândido Portinari (1903-1962) e cercada pelos jardins de Roberto Burle Marx, foi considerada à época “moderna demais” pela Igreja Católica. O local foi o último prédio do conjunto a ser concluído e ficou fechado para missas e cultos por 14 anos, só saindo dessa situação após o papa João 23 manifestar interesse em expor no Vaticano a via sacra de Portinari, registrada na Igrejinha, no fim dos anos 1950.

Iate Tênis Clube

Inaugurado em 1943, o Iate Tênis Clube foi criado para ser um espaço de esportes e lazer. Sua sede, em formato de um barco, “avançando” sobre o espelho da Lagoa da Pampulha. O local ganhou painéis de Cândido Portinari e do paisagista Roberto Burle Marx. O clube era público, gerenciado na época pela Prefeitura de Belo Horizonte.

O Iate chegou a ser sede de um clube de regatas. O remo, o esqui e a pescaria eram atividades comuns na Lagoa da Pampulha à época. Na década de 1960, para financiar obras de abastecimento no município, a Prefeitura de Belo Horizonte vendeu o clube.

Sítios brasileiros do Patrimônio Cultural:

Cidade Histórica de Ouro Preto (MG)
Centro Histórico de Olinda (PE)
Missões Jesuíticas Guarani, Ruínas de São Miguel das Missões (RS)
Centro Histórico de Salvador (BA)
Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (MG)
Plano Piloto de Brasília (DF)
Parque Nacional Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato (PI)
Centro Histórico de São Luiz do Maranhão (MA)
Centro Histórico de Diamantina (MG)
Centro Histórico da Cidade de Goiás (GO)
Praça de São Francisco, em São Cristovão (SE)
Rio de Janeiro (paisagens entre a montanha e o mar) (RJ)