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Polícia investiga elo entre PCC e preso por suspeita de roubo ao BC em 2005

Leonardo Martins

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/05/2019 17h45

Suspeito de ter participado do assalto ao Banco Central, em Fortaleza (CE), em 2005, Jean Ricardo Galian, 41, foi preso ontem, em Londrina (PR), pelo DEIC (Departamento Estadual de Investigações Policiais), órgão da Polícia Civil de São Paulo. A ação de 2005 levou R$ 150 milhões dos cofres do banco e deu origem a um filme em 2011.

Galian era procurado pela polícia paulista por uma condenação por roubo cometido em São Paulo também no ano de 2005. Ele ainda foi condenado por uma tentativa de furto a um banco em Porto Alegre no ano seguinte. O advogado de Galian, Anderson da Silva Araújo, informou à TV Globo que ele foi condenado a 31 anos de prisão, cumpriu oito anos e estava há um ano e meio em liberdade condicional.

Ao UOL, o delegado Ricardo Guanaes afirmou que investiga a ligação de Galian com a maior facção criminosa do país, o PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo Guanaes, o preso é investigado pelo vínculo com o PCC desde o furto ao Banco Central, uma vez que esse tipo de crime, diz o delegado, dificilmente é efetuado sem o vínculo e aval do crime organizado.

Não é possível afirmar, no entanto, que a autoria desses crimes foi do PCC, de acordo com Guanaes. "Eles [criminosos] têm sempre a anuência e a participação organizacional do crime organizado para praticar esse tipo de delito. Porém, não há como afirmar, tudo é objeto de investigação", explicou.

Um vídeo disponibilizado pelo DEIC mostra o momento em que Galian foi preso pela polícia dentro de um condomínio no bairro Jardim Universitário. Ainda segundo o delegado, o suspeito vivia em um imóvel de alto padrão socioeconômico e fazia faculdade de Direito na cidade. Ele foi trazido de carro do Paraná e chegou na capital paulista no final da tarde de ontem.

"Todo criminoso que você prende, a ação tem que ser considerado um trabalho bom. A sensação de impunidade vai embora porque uma hora a justiça é feita, esse caso é um bom exemplo disso", afirmou Guanaes. De acordo com o delegado, Galian não ofereceu resistência à prisão e disse, segundo a polícia, não ter conhecimento sobre a condenação por roubo.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Galian. Ao programa SP2, da TV Globo, o advogado Anderson da Silva Araújo afirmou que ele foi condenado a 31 anos de prisão anteriormente, cumpriu quase 8 anos da pena e estava há um ano e meio em liberdade condicional. A condenação da Justiça de São Paulo, de acordo com o advogado, era desconhecida.

O roubo ao Banco Central

Em agosto de 2005, criminosos furtaram mais de R$ 150 milhões do Banco Central de Fortaleza. A operação durou cerca de três meses e o bando cavou um túnel de 80 metros de extensão até o cofre do banco. O roubo virou até filme em 2011.

Embora o crime tenha ganhado notoriedade como "assalto ao Banco Central", a ação se tratou de um furto, uma vez que não houve contato, violência ou ameaça com nenhuma vítima.