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Muçulmana denuncia intolerância religiosa em posto de vacinação no AM

Ed Rodrigues

Colaboração para o UOL

17/05/2021 21h00Atualizada em 19/05/2021 09h39

Ana Rita Gomes Vieira, de 41 anos, denunciou nas redes sociais ter sido vítima de um suposto ato de intolerância religiosa em um posto de vacinação contra a covid-19 em Manaus, no Amazonas.

Ao chegar ao local, a mulher, que é muçulmana e usava um lenço tradicional, chamado keffiyeh, e uma máscara com as cores da bandeira palestina, afirmou ter ouvido uma das enfermeiras dizer que temia que ela soltasse uma bomba.

O caso ocorreu no início da tarde de hoje, quando Ana Rita se dirigiu ao posto para tomar a segunda dose do imunizante.

Ao se sentir agredida verbalmente, a mulher passou a filmar o atendimento, questionando a servidora. Na gravação, a enfermeira diz que fez uma brincadeira.

"Gente, era brincadeira. Gente, eu estava só brincando", diz a profissional de saúde.

"Eu vim tomar vacina e a senhora disse que tem medo que eu solte uma bomba aqui. Com isso não se brinca. A gente teve uma marcha pró-Palestina contra o genocídio cometido contra nosso povo e hoje eu venho aqui para ouvir isso", rebateu Ana Rita.

Ao UOL, ela contou que é uma paciente imunossuprimida e que, por essa razão, entrou no grupo prioritário de vacinação.

"Eu não posso me alegrar por ser privilegiada em tomar vacina. Isso não é motivo de orgulho, é de tristeza. Porque muitos não tiveram a chance de tomar. Então, já fui lá com esse clima pela Palestina e pelo Brasil, e fui recebida desse jeito", lamentou.

"Fiquei na fila e quando chegou minha vez, ela olhou para mim e falou: 'ai, tenho medo que vocês venham aqui e joguem uma bomba. Por que vocês, que andam assim, fazem isso.' A única coisa que eu queria era chegar lá e tomar a vacina, e não ser agredida", concluiu.

Ao perceberem que o caso seria levado à delegacia, três enfermeiras foram até Ana Rita para pedir desculpas.

"A enfermeira-chefe veio falar comigo e perguntou: 'se ela pedir desculpas, você releva essa situação?'. Eu falei que um pedido de desculpas, ainda mais orientado, não iria apagar a dor que estou sentindo", acrescentou.

Ana Rita registrou queixa na unidade policial local e a Polícia Civil investigará a denúncia.

A reportagem não teve acesso à enfermeira acusada para ouvir sua versão da história.

Procurada, a Prefeitura de Manaus afirmou que lamenta o episódio e classificou a piada da enfermeira como "inadequada".

O órgão acrescentou que a profissional será advertida e receberá uma reorientação quanto aos procedimentos adequados para o atendimento aos usuários durante a campanha municipal de vacinação.