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Sobe para mais de 2.500 o nº de mortos em terremoto que devastou o Nepal

Do UOL, em São Paulo

26/04/2015 14h40Atualizada em 27/04/2015 07h44

Mais de 30 horas após o terremoto de magnitude 7,8 ter atingido o Nepal, na manhã de sábado (25), o número oficial de mortos não parava de crescer. Autoridades de todos os países afetados pelos tremores indicavam que mais de 2.500 pessoas haviam morrido.  

No Nepal, pelo menos 2.430 pessoas morreram e outras 5.900 ficaram feridas, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Laxmi Prasad Dhakal. Avalanches no monte Everest provocadas pelo terremoto deixaram 22 mortos e 217 desaparecidos, na fronteira entre o Nepal e a China. 

O número de mortos na Índia chegou a 56, a maioria no Estado de Bihar, como afirmou a Autoridade Nacional de Gestão de Desastres do país. Outros 17 cidadãos chineses morreram no Tibete, de acordo com fontes locais. 

O Itamaraty informou que há registro de 79 brasileiros no Nepal --até o momento, a força-tarefa do governo localizou 60. Segundo o Itamaraty, todos estão bem e não há nenhum brasileiro entre os mortos confirmados até agora. Entre os localizados, estão cidadãos que moram no Nepal, parentes que faziam visitas e turistas. Um embaixador brasileiro que trabalha na Índia foi deslocado para Katmandu (capital do Nepal) neste domingo (26).

De acordo com o Itamaraty, a embaixada brasileira funcionou normalmente hoje, além do plantão disponibilizado 24 horas. Com muitos hotéis fechados, que obrigaram turistas a sair às pressas após o abalo sísmico, a representação brasileira está disponibilizando canais de comunicação com parentes e emitindo documentos. Apesar das dificuldades de locomoção e comunicação em Katmandu, fortemente atingida pelos tremores, o prédio da embaixada não foi afetado.

Cenário de destruição 

Milhares de casas e muitos prédios históricos foram destruídos, e desde a manhã de ontem, quando o choque principal aconteceu, o Nepal já sofreu pelo menos 35 réplicas dos tremores com magnitude entre 4 e 6,7.

Vários edifícios desabaram no centro da capital nepalesa, incluindo templos seculares. Um importante marco histórico na cidade, a torre de Dharahara, declarada patrimônio da Unesco, ficou quase toda destruída. O centro antigo de Katmandu é formado por um emaranhado de edifícios próximos uns dos outros, ruas estreitas e casas mal construídas, com grandes famílias morando nelas.

Torre de Dharahara, patrimônio histórico de Katmandu, destruída no terremoto que atingiu o Nepal - Sunil Sharma/Xinhua - Sunil Sharma/Xinhua
Torre de Dharahara, patrimônio histórico de Katmandu, destruída no terremoto
Imagem: Sunil Sharma/Xinhua

"Há relatos de danos generalizados. A devastação não está confinada a algumas áreas do Nepal. Quase todo o país foi atingido", disse Krishna Prasad Dhakal, vice-chefe da missão na embaixada do Nepal, em Nova Déli (Índia).

Enquanto as equipes de salvamento ainda buscavam vítimas entre os escombros, os hospitais já estavam lotados.

Muitos médicos atendiam os feridos, a maioria com fraturas múltiplas e traumatismos, em tendas de campanha. Além da falta de vaga nos hospitais, muitas pessoas tinham medo de entrar nos prédios, explicou Samir Acharya, médico do hospital neurológico Annapurna.

A Cruz Vermelha mostrou preocupação com moradores das zonas rurais isoladas perto do epicentro do terremoto. "Prevemos perdas de vidas humanas e danos materiais consideráveis", disse Jagan Chapagain, diretor para Ásia e Pacífico da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICR).

"As estradas estão danificadas ou bloqueadas pela lama. As comunicações não funcionam, o que nos impede de conectar os escritórios locais da Cruz Vermelha e obter informações verídicas", explicou.

"Vimos cenas terríveis de destruição, hospitais que foram evacuados e pacientes atendidos no chão, casas e edifícios demolidos e ruas com rachaduras abertas", contou Eleanor Trinchera, coordenadora da Cáritas na Austrália.

As primeiras incinerações em massa de corpos, para afastar o risco de doenças e infecções, ocorreram no distrito Pashupatinath de Katmandu.

Em meio aos escombros, as ruas da capital amanheceram cheias de pessoas que, sem ter onde dormir, passaram a noite em claro diante da ameça de novos tremores. Centenas de moradores se preparavam para passar a segunda noite consecutiva ao ar livre. 

O ministro da Informação, Minendra Rijal, disse à TV indiana que "foi lançado um grande plano de ação de resgate e reabilitação, e há muito a ser feito". "Nosso país está num momento de crise e precisará de apoio e ajuda imensos", afirmou. 

Segundo a ONG Oxfam, que tem fornecido água potável e artigos de primeira necessidades às vítimas, as comunicações, a eletricidade e a água corrente nas regiões atingidas pelo terremoto foram cortadas. Os hospitais também têm dificuldades para atender a todos os feridos. Medicamentos e suprimentos estão se esgotando.

As réplicas também provocaram novas avalanches no acampamento base do Everest, segundo montanhistas presentes, logo depois que helicópteros de salvamento evacuaram os feridos da avalanche de sábado, que matou ao menos 18 pessoas. O porta-voz do Departamento de Turismo, Tulsi Gautam, informou que há 61 feridos no local, a maioria estrangeiros. 

Estima-se que 4,6 milhões de pessoas na região foram expostas aos tremores, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários. Apenas no Nepal, 30 dos 75 distritos --40% do território nepalês-- foram afetados pelo terremoto. Somente a cidade de Katmandu tem população de 1 milhão de pessoas, e o Vale de Katmandu, 2,5 milhões, muitas vivendo em condições de pobreza.
 
O governo nepalês anunciou que as escolas permanecerão fechadas por pelo menos cinco dias e dispensou os funcionários públicos para que pudessem ajudar nos esforços de resgate locais. De acordo com o jornal francês "Le Monde", o abalo sísmico deste sábado é o mais forte registrado no Nepal desde 1934, ano em que um terremoto de magnitude 8 provocou entre 10 mil e 20 mil mortes.