Topo

Esse conteúdo é antigo

46 entidades médicas brasileiras emitem manifesto e reforçam uso de máscara

Victoria Bechara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

28/02/2021 16h49

Em um dos momentos mais críticos da pandemia de covid-19 no Brasil, 46 entidades médicas divulgaram hoje (28) um manifesto reforçando a importância de medidas para conter a disseminação do vírus, como o uso de máscaras, o distanciamento social e a higienização das mãos.

Entre as entidades que assinam a nota estão a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, de Cardiologia, Infectologia, Pediatria, entre outras. Também apoiam o manifesto a Faculdade de Medicina da Unesp Botucatu e entidades no Amazonas, Alagoas, Distrito Federal, Santa Catarina, Pará, Paraná e outros estados.

"É urgente que as medidas efetivas para diminuir a transmissão da doença sejam assumidas pela população como compromisso social para diminuir a possibilidade do surgimento de novas variantes do vírus e o colapso total dos serviços de saúde de todo país", diz o manifesto.

A nota também defende a importância de orientar a população com informações seguras e afirma que direcionamentos contrários à ciência "desconstroem, confundem e agravam a situação do país". As entidades dizem ainda que a vacinação no Brasil "caminha a passos lentos e de forma descontínua, retardando seus efeitos benéficos".

Até o momento, apenas 3% da população brasileira recebeu a primeira dose da vacina contra o coronavírus, segundo o consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte. Já a porcentagem de brasileiros que tomaram as duas doses não chega a 1%.

Na última quinta-feira (25), o Brasil ultrapassou 250 mil mortes no total e bateu o recorde de óbitos diários desde o início da pandemia: foram 1.582 em 24 horas, segundo o consórcio de veículos de imprensa. O recorde anterior tinha sido registrado em 29 de julho do ano passado, com 1.554 mortes.

Além disso, uma nota técnica divulgada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) na sexta-feira (26) informou que o SUS (Sistema Único de Saúde) tem ocupação de mais de 80% dos leitos de UTI em pelo menos 17 capitais do país. Em alguns estados, como Rondônia, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os índices de ocupação passaram de 90%.

Confira a nota na íntegra:

"As 46 Sociedades médicas que assinam esse manifesto, fazem um apelo à população brasileira e sociedade civil, reforçando a importância imprescindível do uso de máscaras, além do cumprimento de outras ações para contenção da pandemia da Covid-19, como o distanciamento físico, não compartilhamento de objetos de uso pessoal e a higienização das mãos.

Máscaras são instrumentos eficazes para a redução da transmissão de vírus respiratórios e são preconizadas na atual pandemia para uso, não apenas por profissionais da saúde no cuidado de indivíduos com suspeita ou diagnóstico de COVID-19, mas por todos. O uso correto da máscara é a ação pessoal com efeito coletivo fundamental para diminuir a circulação do vírus da COVID-19 que assola o país neste momento.

No dia 25 de fevereiro de 2021 atingimos a marca de mais de 250 mil mortes por COVID 19 no Brasil, sendo 1582 mortes em um único dia, uma morte por minuto. Os hospitais da rede pública e privada de muitos municípios do Brasil encontram-se com a ocupação quase máxima, podendo levar ao risco, a vida daqueles que necessitem de assistência médica hospitalar por qualquer doença. A vacinação ainda caminha em passos lentos e de forma descontínua retardando seus efeitos benéficos.

É urgente que as medidas efetivas para diminuir a transmissão da doença sejam assumidas pela população como compromisso social para diminuir a possibilidade do surgimento de novas variantes do vírus e o colapso total dos serviços de saúde de todo país.

Acreditamos que é de suma importância este posicionamento público, de entidades competentes, em orientar a população com informações seguras e baseadas na ciência, de forma clara e convergente. Direcionamentos contrários desconstroem, confundem e agravam a situação do país."