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Venezuela repreende EUA e oposição sobre acusações por morte de ativista

27/11/2015 15h49

Por Andrew Cawthorne

CARACAS (Reuters) - O governo da Venezuela criticou os Estados Unidos com veemência nesta sexta-feira por ligar o assassinato de um ativista à eleição iminente, e disse que irá processar um líder da oposição por culpar o governista Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV).

A morte a tiros de Luis Díaz, líder do partido Ação Democrática, no Estado central de Guarico, abalou a Venezuela dias antes da votação que irá eleger uma nova Assembleia Nacional, que os socialistas correm o risco de perder pela primeira vez em 16 anos.

Em meio à comoção que se seguiu ao assassinato de quarta-feira, o representante nacional da Ação Democrática, Henry Ramos, e uma testemunha do crime, Lilian Tintori, esposa do líder opositor preso Leopoldo López, atribuíram a culpa ao partido do governo.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e outras figuras governamentais disseram que investigações iniciais apontaram para uma briga de gangues locais. Eles acusaram a oposição de explorar o caso para desacreditar o PSUV aos olhos do mundo antes do pleito de 6 de dezembro.

"Tentar ligar um assassinato entre gangues criminosas rivais ao processo eleitoral da Venezuela mostra desespero e má fé", declarou a ministra venezuelana das Relações Exteriores, Delcy Rodríguez, a respeito de uma declaração dos EUA conectando a morte recente a outros atos de agressão contra candidatos da oposição.

"Também é deplorável que o Departamento de Estado dos EUA apoie bandos criminosos ligados à oposição na Venezuela", afirmou ela.

A Ação Democrática é parte da coalizão opositora que, segundo pesquisas de intenção de voto, tem grande chance de conquistar a legislatura, o que seria um golpe duro no chavismo.

Grupos de direitos humanos ficaram revoltados com a morte de Díaz em um comício, e o crime atraiu repúdio internacional, da Unasul ao governo norte-americano.

"Apelamos às autoridades nacionais competentes para realizar uma investigação exaustiva deste horrível incidente", disse a Unasul.