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Carla Araújo

REPORTAGEM

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Planalto avalia que Pacheco declara voto em Lula se abrir CPI do MEC

Rodrigo Pacheco, Jair Bolsonaro, Arthur Lira, Ciro Nogueira e Paulo Guedes em anúncio de medidas para reduzir preço dos combustíveis - Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Rodrigo Pacheco, Jair Bolsonaro, Arthur Lira, Ciro Nogueira e Paulo Guedes em anúncio de medidas para reduzir preço dos combustíveis Imagem: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

28/06/2022 19h42Atualizada em 28/06/2022 19h43

Auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (PL) trabalharam durante esta terça-feira (28) para tentar desmobilizar a articulação para a realização da CPI do MEC. Uma das estratégias é a de pressionar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), com a argumentação de que ele estaria interferindo no processo eleitoral.

Nas palavras de um assessor palaciano, com outras CPIs aguardando na fila para serem avaliadas, se Pacheco decidir abrir a CPI do MEC estaria praticamente "declarando voto em Lula".

O Planalto escalou o novo líder do governo no Senado, Carlos Portinho (PL), para liderar as iniciativas para barrar a CPI. Ao lado de outros senadores governistas, Portinho já protocolou justamente requerimentos para que Pacheco respeite a ordem de pedidos de abertura de CPIs apresentados na Casa.

No início da noite, Portinho confirmou que estuda usar a AGU (Advocacia-Geral da União) e recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para questionar a eventual instalação da CPI.

Auxiliares do presidente Bolsonaro afirmam que não há justificativa para a CPI, já que a prisão do ex-ministro aconteceu justamente porque o caso está sendo investigado por outros órgãos como a Polícia Federal e a CGU (Controladoria-Geral da União).

Além disso, membros do governo dizem que Pacheco estaria alinhado com a necessidade de o Congresso avançar as pautas econômicas, como a PEC que permitirá o aumento do Auxílio Brasil e do Pix Caminhoneiro.

Há quem acredite que essa será uma das justificativas que Pacheco deve usar para atender ao pedido do governo e engavetar a CPI. Segundo fontes do governo que têm participado das reuniões econômicas, Pacheco tem dito que "o país não precisava de mais ruído".

Em entrevista ao UOL News, em maio, Pacheco afirmou que não é nem aliado nem opositor de Bolsonaro. "Sou presidente do Senado, a minha posição não me permite ser aliado ou opositor frontal. Sobretudo, sem subserviência. O Senado tem posições e não tem índole eleitoral", disse Pacheco, na entrevista.