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Senador nega que CPI do MEC seja perseguição a evangélicos

O senador Jean Paul Prates (PT-RN) - Marcos Oliveira/Agência Senado
O senador Jean Paul Prates (PT-RN) Imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado

Colaboração para o UOL, em Maceió

28/06/2022 18h47Atualizada em 28/06/2022 19h01

O senador Jean Paul Prates (PT-RN) negou que o pedido por uma CPI do MEC seja uma perseguição a evangélicos. Hoje, a oposição protocolou o requerimento de criação da comissão para investigar supostas irregularidades no ministério. A comissão tem por objetivo também apurar a conduta dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, apontados como lobistas no repasse de verbas do MEC aos municípios, durante a gestão do ex-ministro Milton Ribeiro — os três chegaram a ser presos na semana passada, mas foram soltos após um habeas corpus.

Em coletiva de imprensa, o parlamentar petista afirmou que a CPI do MEC é "pró-evangélicos" porque não importa à comissão o fato de eles serem pastores.

"[A CPI do MEC] não é antievangélica. Ao contrário: é pró-evangélicos", declarou. "Essas pessoas, o que menos importa é elas serem pastores, padres ou o que for. O que importa é que são picaretas. São estelionatários que têm, dentro do governo, seus correspondentes corruptos passivos e aliciadores do orçamento público", afirmou Jean Paul Prates, que também negou haver interesse eleitoral na Comissão.

Oposição protocola CPI do MEC

Senadores da oposição protocolaram hoje (28), na Secretaria Geral da Mesa do Senado, o requerimento de criação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar supostas irregularidades no MEC (Ministério da Educação).

Autor do pedido, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentou o documento acompanhado de deputados federais como Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Ivan Valente (PSOL-SP) e Luiza Erundina (PSOL-SP). A instalação do colegiado depende agora do aval do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

O argumento para a criação de uma CPI ganhou força após as suspeitas de interferência do presidente Jair Bolsonaro nas investigações contra o ex-ministro da pasta Milton Ribeiro. Em uma ligação interceptada pela PF (Polícia Federal), Ribeiro disse à sua filha ter sido alertado por Bolsonaro sobre um "pressentimento" de uma possível operação de busca e apreensão contra ele.

A base do governo Jair Bolsonaro (PL) no Senado diz ver com descrédito a tentativa da oposição de instalar a CPI. Aliados do presidente, porém, trabalharam até hoje cedo, sem sucesso, para tentar dissuadir alguns dos parlamentares que assinaram o protocolo, como Eduardo Braga (MDB-AM) e Giordano (MDB-SP).

Balcão de negócios

Em março, um áudio obtido pelo jornal Folha de S.Paulo revelou que o governo federal priorizava a liberação de recursos a prefeituras indicadas pelos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura Correia, que não têm cargos oficiais no MEC, mas atuavam como lobistas no ministério.

Apesar da ofensiva dos dois lados, Pacheco tem indicado publicamente que a proximidade com as eleições "prejudica o escopo" de uma CPI. Ele afirmou, contudo, que as acusações contra Ribeiro são "graves" e que precisam ser investigadas pelas autoridades.

O presidente do Senado reforçou que o caso deve ser "rigorosamente apurado pelas instâncias de percepção criminal e num caso concreto, precisa ser suficientemente apurado para se dar uma resposta à sociedade brasileira".

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