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Sem previsão para frear o vírus, OMS define critérios para reabrir escolas

Alunos durante atividade de reforço no colégio Cidade de Itu, no interior de São Paul; escolas foram autorizadas a reabrir para atividades de apoio e orientação - Alex Tajra/ UOL
Alunos durante atividade de reforço no colégio Cidade de Itu, no interior de São Paul; escolas foram autorizadas a reabrir para atividades de apoio e orientação Imagem: Alex Tajra/ UOL
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

15/09/2020 09h48

Resumo da notícia

  • Novo guia prevê medidas de distanciamento, máscara, ventilação e outras ações
  • OMS insiste que governos só devem fechar escolas como "última opção". Mas insiste que adaptações precisam ser estabelecidas

Distanciamento entre estudantes, higiene, máscaras para os alunos mais velhos e dezenas de outras medidas fazem parte do novo guia da OMS para a reabertura de escolas.

Nesta semana, pela primeira vez desde maio, a agência atualizou suas orientações aos governos e institutos de ensino. O recado é claro: autoridades devem dar prioridade para a reabertura de escolas, e não de bares ou restaurantes. Mas terão de também aprender a conviver com o vírus.

"Em geral, a maioria das evidências de países que reabriram escolas ou nunca as fecharam, sugere que as escolas não foram associadas a aumentos significativos na transmissão comunitária", revela a OMS.

A entidade, ainda assim, reconhece que, em locais de intensa transmissão, a opção por fechar uma escola deve ser considerado, principalmente onde há mortes crescentes e um número elevado de hospitalização. Mas fechar escolas deve ser considerado apenas como "última opção".

Para os demais cenários, a recomendação é de manter alunos e professores em pequenos grupos que não se misturam, escalonar o início das aulas, intervalos, banheiro, refeições e horários finais, além de dezenas de outras medidas.

?Distanciamento

Uma das novidades do guia da OMS é o estabelecimento de regras sobre distanciamento físico. Eis a lista de orientações:

- Fora das salas de aula a determinação é de manter uma distância de pelo menos 1 metro tanto para os estudantes (todas as faixas etárias) quanto para o pessoal, sempre que possível.

- Dentro das salas de aula, uma abordagem baseada no risco deve ser aplicada para manter uma distância de pelo menos 1 metro entre os estudantes. Os benefícios da adesão ao distanciamento físico de pelo menos 1 metro dentro de uma sala de aula devem ser ponderados em relação aos ganhos sociais, emocionais, de desenvolvimento e de saúde mental decorrentes das interações entre as crianças.

- O professor e o pessoal de apoio devem manter pelo menos 1 metro de distância um do outro e dos alunos. Quando manter pelo menos 1 metro de distância não é prático ou dificulta o apoio aos alunos, os professores e o pessoal de apoio devem usar uma máscara.

- Em locais onde há apenas casos esporádicos da covid-19, crianças com menos de 12 anos de idade não devem ser obrigadas a manter distância física o tempo todo.

- Sempre que possível, crianças com 12 anos ou mais devem manter pelo menos 1 metro de distância umas das outras.

- Em locais sem casos de transmissão, crianças com menos de 12 anos de idade não devem ser obrigadas a manter distância física o tempo todo.

- Sempre que possível, crianças com 12 anos ou mais devem manter pelo menos 1 metro de distância umas das outras.

- Limitar a mistura de aulas e de faixas etárias para atividades escolares e pós-escolares.

O horário do ensino médio pode ser modificado, com alguns alunos e professores frequentando pela manhã, outros pela tarde, outros à noite. As escolas também podem minimizar os intervalos compartilhados, alternando quando e onde as aulas acontecem.

A OMS também sugere considerar aumentar o número de professores ou recorrer ao apoio de voluntários, se possível, para permitir que haja menos alunos por sala de aula (se houver espaço disponível).

Além disso, ela quer que escolas assegurem o controle de aglomerações durante os períodos de aulas ou de coleta; identifiquem claramente as entradas e saídas, com marcação direção para caminhadas; considerem restrições para pais e cuidadores que entram no campus e instalações da escola.

Máscaras

Em países ou áreas onde há intensa transmissão comunitária da SRA-CoV-2 e em ambientes onde o distanciamento físico não pode ser alcançado, a OMS e a UNICEF aconselham os tomadores de decisão a aplicar os seguintes critérios para o uso de máscaras nas escolas:

- Crianças com menos de 5 anos de idade não devem ser obrigadas a usar máscaras.

- Para crianças entre seis e 11 anos de idade, deve ser aplicada uma abordagem baseada no risco para a decisão de usar uma máscara. Esta abordagem deve ser levada em consideração: a intensidade de transmissão na área em que a criança se encontra e dados disponíveis sobre o risco de infecção e transmissão nesta faixa etária.

- Também deve ser levado em consideração a capacidade da criança de cumprir com o uso apropriado de máscaras e a disponibilidade de supervisão apropriada de adultos.

- Impacto potencial do uso da máscara sobre a aprendizagem e o desenvolvimento psicossocial

- Considerações específicas adicionais e adaptações para ambientes específicos, tais como atividades esportivas ou para crianças com deficiências ou doenças subjacentes.

- Crianças e adolescentes de 12 anos ou mais devem seguir as diretrizes nacionais de máscara para adultos.

- O professor e o pessoal de apoio podem ser obrigados a usar máscaras quando não puderem garantir uma distância mínima de 1 metro dos outros ou quando houver uma transmissão generalizada na área.

- Todos os esforços devem ser feitos para garantir que o uso de uma máscara não interfira no aprendizado.

- Não deve ser negado às crianças o acesso à educação por causa do uso de máscaras ou da falta delas por causa dos baixos recursos ou indisponibilidade.

A OMS ainda alerta que o uso de máscaras por crianças e adolescentes nas escolas deve ser considerado apenas como uma parte de uma estratégia abrangente para limitar a disseminação da COVID-19.

"As escolas devem estabelecer um sistema de gerenciamento de resíduos que inclua o descarte de máscaras usadas para reduzir o risco de que as máscaras contaminadas sejam descartadas em salas de aula e playgrounds", sugere.

Ventilação e Higiene

A OMS ainda pede a adoçar de estratégias para garantir ventilação adequada em edifícios públicos, incluindo salas de aula. As medidas devem incluir:

- Considerar o uso de ventilação natural (isto é, abrir janelas se possível e se for seguro fazê-lo) para aumentar a diluição do ar interno pelo ar externo quando as condições ambientais e os requisitos do edifício o permitirem.

- Garantir ventilação adequada e aumentar o fornecimento total de ar para os espaços ocupados, se possível.

- Se forem utilizados sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado, eles devem ser inspecionados, mantidos e limpos regularmente. Normas rigorosas para instalação e manutenção de sistemas de ventilação são essenciais para garantir que eles sejam eficazes e seguros.

- Criar um horário para a higiene frequente das mãos, especialmente para crianças pequenas, especificamente na chegada da escola e em certos momentos-chave da rotina escolar, inclusive antes do lanche e do almoço e antes da saída da escola; fornecer sabão suficiente e água limpa ou esfregar à base de álcool nas entradas da escola e em toda a escola e nas salas de aula, sempre que possível; assegurar distanciamento físico quando os alunos esperam nos pontos de higiene/lavagem das mãos usando sinalização no chão.

- Programar a limpeza regular do ambiente escolar diariamente, incluindo banheiros, com água e sabão/detergente e desinfetante. Limpar e desinfetar superfícies frequentemente tocadas, tais como maçanetas de porta, escrivaninhas, brinquedos, suprimentos, interruptores de luz, equipamentos para brincar, materiais didáticos usados pelas crianças e capas de livros compartilhados; elaborar listas de verificação para os limpadores das escolas para garantir que todas as tarefas diárias de higiene sejam realizadas e garantir o fornecimento de materiais de limpeza e proteção para o pessoal de limpeza, tais como equipamentos de proteção individual.

- Avaliar o que pode ser feito para limitar o risco de exposição, ou contato físico direto, em aulas de educação física, esportes, música ou outras atividades físicas e parques infantis, áreas molhadas (chuveiro/piscina) e vestiários, laboratórios de informática, bibliotecas, banheiros e refeitórios/cafeteria.

- Aumentar a frequência da limpeza na cantina, ginásio e instalações esportivas e vestiários. Fornecer estações de higiene das mãos nas entradas e saídas, estabelecer circulação unidirecional dos atletas através das instalações e limitar o número de pessoas permitidas no vestiário de cada vez; exibir informações claras sobre o número de pessoas permitidas na entrada das instalações individuais da escola.

- Estabelecer medidas de higiene respiratória e das mãos e distanciamento físico no transporte, tais como ônibus escolares. Se possível, as janelas dos ônibus devem ser mantidas abertas; fornecer informações para os alunos sobre o transporte seguro de ida e volta à escola, inclusive para aqueles que utilizam transporte público.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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