PUBLICIDADE
Topo

Weintraub passará a ganhar R$ 115 mil por mês

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

19/06/2020 05h12

Abraham Weintraub entrará para a crônica do serviço público como um dos mais bem-acabados exemplos de meritocracia às avessas. Após exercitar sua inépcia no cargo de ministro da Educação por um ano e dois meses, o personagem foi guindado ao posto de diretor-executivo do conselho de administração do Banco Mundial, em Washington. Trocará um salário de R$ 30,9 mil por um contracheque quase quatro vezes maior: R$ 115 mil por mês.

Para merecer a promoção, Weintraub precisou apenas chamar de "vagabundos" os ministros do Supremo Tribunal Federal. Foi enviado para o exílio dourado sob o pretexto de que precisa de um refúgio: "O presidente já referendou", disse num vídeo, ao lado de um constrangido Bolsonaro. "Obrigado, presidente. E com isso, eu, a minha esposa, os nossos filhos e até a nossa cachorrinha Capitu, a gente vai poder ter a segurança que hoje me está deixando muito preocupado."

Se a passagem de Weintraub pelo Ministério da Educação serviu para alguma coisa foi para demonstrar que o grande erro da natureza é a incompetência não doer. Espera-se que o inglês de Weintraub seja melhor do que o seu português. Do contrário, a estadia da cachorrinha Capitu em Washington será ainda mais imprecionante, com "C", como prefere o agora ex-ministro.

Josias de Souza