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Josias de Souza

Investigar Moro por arrumar emprego é ridículo

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

01/12/2020 18h38

Sergio Moro tem todo o direito de se empregar na iniciativa privada. Do ponto de vista político, foi desastrosa a decisão de tornar-se sócio-diretor da consultoria americana Alvarez & Marsal, que tem a Odebrecht e outras empresas encrencadas como clientes. A decisão afasta o ex-juiz e ex-ministro da lista de presidenciáveis. Entretanto, não há nada de irregular em termos judiciais.

O deputado Paulo Teixeira, do PT, apresentou à Procuradoria-Geral da República um pedido de investigação contra Sergio Moro. Há um quê de ridículo na iniciativa. Moro e a empresa de consultoria informam que há no contrato que regula a relação entre as partes uma cláusula que impediria o ex-juiz de atuar em casos com conflito de interesse. Sabe-se que esse tipo de cláusula é mera formalidade. Coisa difícil de ser verificada. Mas investigar o quê?

Não se pode perscrutar a nova atividade de Moro na suposição de um crime que o PT avalia que o algoz do partido e de Lula pode cometer. Supor não basta para demonstrar que o ex-juiz lambuzará sua reputação utilizando informações privilegiadas em benefício de empresas que investigou.

Se a Procuradoria tiver senso de ridículo, o pedido de investigação será arquivado. A única repercussão do movimento de Moro deve ser mesmo de natureza política. Entre o saldo médio no banco e a carreira política, Moro optou pelo bolso. É direito dele. Mas convém esquecer 2022.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL