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Josias de Souza

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ao dizer que não errou, Bolsonaro erra outra vez

 Presidência da República
Imagem: Presidência da República
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

01/03/2021 18h58

Jair é o presidente da República mais extraordinário que Bolsonaro já viu. Ainda que o personagem enxergasse defeitos em si mesmo, errar não seria um deles.

"Desculpe aí, pessoal, não vou falar de mim, mas eu não errei nenhuma vez desde março do ano passado", disse o presidente a um grupo de devotos. "E não precisa ser inteligente para entender isso. Tem que ter um mínimo de caráter."

Quer dizer: Bolsonaro considera-se infalível. E acha que só um imbecil ou mau caráter não consegue enxergar a genialidade com que administra a pandemia do coronavírus.

Bolsonaro enumerou os seus hipotéticos acertos. Por exemplo: a defesa do "tratamento precoce" à base de cloroquina e outros remédios ineficazes; o ataque ao isolamento social e outras táticas incontornáveis; a alegação mentirosa de que não comprou mais vacinas porque aguardava pelos registros da Anvisa...

Não há quem não cometa erros. O problema é que, ao declarar que não errou, Bolsonaro erra outra vez. Desaprende tanto com os próprios equívocos que, havendo inúmeros erros novos a cometer, comete velhos erros.

Ficam entendidas duas coisas: 1) Bolsonaro jamais erra, apenas mente um pouco. 2) A diferença entre a estupidez e a genialidade é que a genialidade tem limites.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL