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Josias de Souza

Ao chamar seus críticos de psicopatas, Bolsonaro inaugura um jogo arriscado

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

16/05/2022 11h46

Ao encostar a política na psiquiatria, Bolsonaro inaugurou no último domingo um jogo arriscado. Na definição do presidente, "só um psicopata ou imbecil" seria capaz de "dizer que os movimentos de 7 de setembro e 1º de Maio são atos que atentam contra a democracia."

Quem dispõe de um par de neurônios não tem como deixar de notar os pendores golpistas de um presidente que, em pleno 7 de Setembro, estimulou o desrespeito a decisões do Supremo, xingou o ministro Alexandre de Moraes de "canalha" e o aconselhou a "pegar o chapéu", deixando a Suprema Corte.

Difícil ignorar o apreço do presidente pela confusão depois que ele se dispôs a ornamentar com a sua presença —física e virtual— eventos que desvirtuaram a celebração do Dia do Trabalhador. Nesses atos, os devotos do presidente malharam o Supremo, rasgaram exemplar da Constituição e enalteceram o condenado Daniel Silveira.

Se fosse submetido a um exame psiquiátrico, Bolsonaro talvez se surpreendesse com o resultado. As alucinações que o desconectam da realidade, a eterna sensação de perseguição, a insistência em negar que enfrenta problemas e a recusa em aceitar ajuda renderiam ao presidente o diagnóstico de Transtorno Delirante Persistente.

Foi esse o diagnóstico atribuído a Adélio Bispo, o insano mental que esfaqueou Bolsonaro em 2018. A diferença é que Adélio está trancado numa penitenciária federal em Campo Grande. E Bolsonaro continua dando expediente no Planalto. Ou utilizando a visibilidade do cargo para fazer campanha ilegal.

Neste domingo, Bolsonaro adicionou ao seu arsenal eleitoral a "lanchaciata". Pilotando uma moto náutica da Marinha, foi ao encontro de um cortejo de lanchas de devotos endinheirados, no Lago Paranoá.

Nesta segunda-feira, Bolsonaro participa em São Paulo de evento promovido pela Associação Paulista de Supermercados. Considerando-se que a disparada da inflação é uma das atrações da campanha à reeleição, Bolsonaro deveria pensar em organizar gôndolaciatas, convidando grupos de apoiadores a percorrer as gôndolas de supermercados.