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"Vale esta": Nome de arquivo indica Reforma Tributária concluída às pressas

Guedes em coletiva no Senado sobre reforma tributária - Reprodução/TV senado
Guedes em coletiva no Senado sobre reforma tributária Imagem: Reprodução/TV senado
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), “Escravidão Contemporânea” (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

23/07/2020 11h08

O governo federal apresentou a primeira parte do seu projeto de Reforma Tributária, nesta terça (21), após meses de promessas e adiamentos. Com isso, chega atrasado ao debate que já vem sendo travado através de três propostas que tramitam na Câmara e no Senado desde o ano passado.

Quem esperava que, depois de tanto tempo, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes apresentariam algo completo, decepcionou-se. Essa primeira fatia prevê principalmente a substituição do PIS e da Cofins pela CBS (Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços).

A equipe econômica sempre afirmou que, apesar da demora, tudo estava dentro do seu planejamento e que nada ia ser esquecido ou produzido às pressas. Isso não vale, contudo, para a própria apresentação da proposta, chamada "Reforma Tributária - Quando todos pagam, todos pagam menos".

O arquivo no site do Ministério da Economia se chama "final_reforma-tributaria-versao-11-15-2-vale-esta-16h55.pdf"

Quem já produziu documentos importantes, sabe que o recurso do "vale esta" é usado após sucessivas versões de arquivos sobre um mesmo tema serem fechadas, demonstrando um processo em construção. Quem nunca?

É especialmente empregado quando alguém esqueceu de colocar ou tirar alguma coisa. Pode ser inexpressivo, como um logo, ou relevante - como uma alíquota de imposto.

A falta de revisão para o nome do documento mais importante que o governo poderia divulgar em semanas mostra o quão o processo foi fechado de afogadilho. Indicando que mesmo contando com meses para produzir uma proposta e organizar sua apresentação, tudo pode ter sido resolvido na última hora mesmo.

O governo prometeu mais três partes da reforma. Mantendo o padrão, os próximos arquivos podem se chamar "versao-final-finalissima-de-verdade-juro-depois-dessa-parei.pdf", "por-deus-deu-tempo.pdf", "ta-estranho-mas-vai-que-cola.pdf".

Leonardo Sakamoto