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Leonardo Sakamoto

"Maia dança conforme a música", diz Dilma após declaração sobre impeachment

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), em entrevista ao Roda Viva - Reprodução/TV Cultura
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), em entrevista ao Roda Viva Imagem: Reprodução/TV Cultura
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), “Escravidão Contemporânea” (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

04/08/2020 20h40

Dilma Rousseff comentou as declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de que mantém a convicção sobre a aprovação do impeachment dela, mas que não tem elementos para decidir sobre um processo semelhante contra Jair Bolsonaro. Maia foi entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda (3).

"As supostas divergências políticas que diz ter com Bolsonaro são de pequena monta já que não o impedem de manter cargos na estrutura do atual governo. Ou ainda assegurem que sua conduta dócil não afronte aos interesses reais das tropas bolsonaristas. Rodrigo Maia dança conforme a música", afirmou Dilma em nota à imprensa nesta terça.

À bancada do programa, Rodrigo Maia disse que não se arrependeu do voto que deu em 2016. "A questão do impeachment da presidente Dilma estava dado, votei a favor com muita convicção e tenho até hoje essa convicção".

"No caso do presidente Bolsonaro, não tenho elementos para tomar uma decisão agora sobre esse assunto. Impeachment é uma coisa que devemos tomar muito cuidado, não pode ser instrumento para solução e crises. Tem que ter um embasamento para essa decisão e não encontro ainda nenhum embasamento legal", completou.

Maia vem sendo criticado pela oposição, organizações da sociedade civil e movimentos sociais por não trazer para a análise dos deputados os pedidos de impeachment de Bolsonaro. De acordo com ele, o presidente ainda conta com apoio no Congresso Nacional.

"O parlamentar diz não ter convicções para apoiar um processo de impeachment contra um genocida como Jair Bolsonaro, mas não se furtou a defender meu afastamento do governo, mesmo sem crime de responsabilidade, como determina a Constituição Federal", disse a ex-presidente.

Dilma afirmou que o atual presidente da República apoia manifestações em defesa do fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, negligencia o combate à pandemia e nomeou um general intendente sem experiência para ocupar o Ministério da Saúde.

"Nada disso parece sensibilizar Rodrigo Maia e demonstra o caráter pusilânime de sua liderança", disse. "Ele não tem compromisso com a democracia ou com o povo brasileiro. Seu compromisso é com a manutenção da atua política econômica, responsável pelo aumento da desigualdade social e com a agenda neoliberal nefasta imposta pelo ministro Paulo Guedes", afirmou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Leonardo Sakamoto