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Leonardo Sakamoto

Deputado diz na CCJ que uso de máscara pode ter agravado câncer de Covas

Zimel Press
Imagem: Zimel Press
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

17/05/2021 11h29

Em sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na manhã desta segunda (17), o deputado federal Giovani Cherini (PL-RS) afirmou que o câncer que levou o prefeito Bruno Covas (PSDB) à morte, neste domingo (16), pode ter sido agravado pelo uso contínuo de máscara para se proteger da covid-19. Ele não apresentou elementos que comprovassem a sua declaração. Deputadas do PSOL defendem que ele cometeu crime contra a saúde pública.

"Falaram tanto do nosso querido e saudoso Bruno Covas, fui colega dele na Câmara. A máscara que ele usou durante toda a campanha [eleitoral] pode ter prejudicado o câncer que ele teve. Porque as células precisam de respiração. Isso é ciência! Respirar é ciência!", afirmou Cherini.

A polêmica declaração foi dada em meio a uma crítica do deputado sobre o uso prolongado de máscaras. Decretos estaduais e municipais tornaram obrigatório o uso do equipamento em espaços públicos no país seguindo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Eu só gostaria de informar a todos os membros que falam tanto em ciência, ciência, ciência, que eu também defendo a ciência. Só que eu defendo que as pessoas respirem e nós vamos ter uma matança de gente por usar máscara em praça, praia, absurdo, dentro do carro sozinho. De tanta doença mental que as pessoas estão passando, de uma forma desinformada, doentia, politicamente. Porque eu aprendi uma coisa no mundo holístico que eu vivo: respirar é tudo na vida", disse o deputado.

E continuou: "Vocês imaginem ficar oito horas com uma máscara sem respirar. Problemas mentais, doenças de toda a ordem que vamos ter, ansiedade... A população brasileira está sofrendo de ansiedade sabe por quê? Por uso de máscara", afirmou.

O prefeito de São Paulo Bruno Covas morreu após uma batalha travada, desde 2019, contra um câncer que começou em seu aparelho digestivo e depois se espalhou pelo pâncreas, fígado e ossos. O prefeito defendeu medidas de distanciamento e de isolamento social para reduzir o impacto do coronavírus, tendo sido crítico a ações negacionistas, como a promoção de remédios ineficazes contra a covid-19, como a cloroquina e a ivermectina, e defendido o uso de máscaras.

Deputadas afirmam que colega cometeu crime contra saúde pública

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) cobrou da Presidência da CCJ censura verbal pela declaração: "É muito grave o que fez o deputado Cherini aqui nessa sessão. Ele atribuiu a piora do estado da condição de saúde do prefeito Bruno Covas, que veio a falecer na manhã de ontem, que comoveu todo o país, ao uso de máscara, que é um uso correto".

Giovani Cherini contradisse Bomfim, afirmando "correto por quem? quem disse que é correto?"

A deputada Bia Kicis (PSL-DF), que está frente da comissão, rechaçou o pedido afirmando que a questão de ordem levantada sobre o caso não diz respeito ao tema que estava em debate, a PEC 32/2020, que trata da Reforma Administrativa.

"O deputado Cherini deu opinião dele, vocês dão a opinião livremente aqui, ele dá a opinião livremente. Não é porque Vossa Excelência não concorda com a opinião dele que isso dá o direito de atacar a opinião dele dizendo que ele cometeu crime", disse Kicis.

A discussão se instalou no plenário e o som foi cortado pela Presidência.

A deputada Fernanda Melchiona (PSOL-RS), que também reclamou da declaração no plenário da comissão, afirmou à coluna que a declaração é "um crime contra a saúde pública e à memória de prefeito Bruno Covas".

Para ela, "Cherini fez uma declaração criminosa que fazia ilação de um câncer agressivo que vitimou o prefeito ao uso de máscara".