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Leonardo Sakamoto

Sem Ciro na disputa, Lula atinge 50% e vence Bolsonaro no primeiro turno

Reprodução e Pedro Ladeira/Folhapress
Imagem: Reprodução e Pedro Ladeira/Folhapress
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Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

11/05/2022 11h41

Pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta (11), testa cenários em que Ciro Gomes (PDT), terceiro colocado na corrida presidencial, e André Janones (Avante), numericamente empatado em quarto com João Doria (PSDB), não estão na disputa. Com isso, Lula chegaria a 50% e 51% e Bolsonaro, 33%. A margem de erro é de dois pontos.

Mesmo com variações (Lula cresceu entre as mulheres e Bolsonaro subiu entre evangélicos), o quadro permaneceu praticamente inalterado de abril para maio, à espera de um fato novo. O petista segue com 46% e o filiado ao PL varia entre 29% e 31% nos cenários principais. Ciro marca entre 7% e 10%, Doria, de 3% a 5% (este último caso, sem Ciro, Janones e Tebet), Janones, 3%, e Simone Tebet (MDB), de 1% a 3% (sem Ciro, Janones e Doria).

A hipótese de desistência de Ciro é improvável. O ex-governador do Ceará vem deixando claro que não arreda o pé e acredita que pode chegar ao segundo turno. A coluna ouviu fontes da campanha de Lula que afirmam que ela não procurou Ciro e que o presidente respeita o adversário. Mas o PT não desistiu de ter o PDT em sua coligação. Nos estados, ambos os partidos têm dialogado para a construção de alianças, e a questão nacional surge à mesa.

O próprio presidente do PDT, Carlos Lupi, reconhece a manutenção do canal de diálogo, enquanto defende a candidatura própria. "Conversamos por telefone algumas vezes, tenho um carinho por Lula. Não rechaço um encontro. Mas Lula é elegante, ele respeita a candidatura de Ciro", disse ao jornal O Globo. O discurso de que uma aliança com o PT ajudaria a reeleição de parlamentares do PDT ao Congresso e às Assembleias tem servido como pressão interna contra Ciro, cobrado a mostrar crescimento nas pesquisas.

Janones disse à Folha de S.Paulo que foi abordado informalmente pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e aceita conversar com o partido, desde que isso não envolva um pedido para a retirada de sua candidatura. "Não vejo muita objetividade em me reunir com Lula, porque sei que ele não vai desistir da candidatura para me apoiar", ironizou.

A questão é o que farão os eleitores de Ciro se ele se mantiver 20 pontos atrás de Bolsonaro a poucos dias da eleição. Eles podem decidir eliminar a necessidade de um segundo turno, transferindo o voto para Lula?

Os que defendem que o líder petista teria, hoje, chances reais de vencer no primeiro turno reduzem a importância de Bolsonaro deter tanto a máquina pública (ele vem gastando dezenas de bilhões para garantir votos), quanto uma máquina de ódio bem azeitada. E que uma campanha não é um experimento acadêmico em que espécimes crescem em condições ideais de pressão e temperatura, mas é influenciada por variáveis imprevisíveis - de crises externas, passando por atentados até mudanças na lista de competidores. E é neste último ponto que entra o fato Ciro.

Bolsonaro foi o principal beneficiado com a saída de Sergio Moro da corrida, até porque boa parte dos eleitores do ex-juiz e ex-ministro haviam votado nele há quatro anos. Eram considerados pelo presidente como filhos pródigos voltando para casa. Quanto ao candidato do PDT, a história é diferente.

Em 2018, candidatos como Geraldo Alckmin (então no PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) desidrataram na reta final por conta do voto útil em Bolsonaro, em Fernando Haddad (PT) e no próprio Ciro.

Segundo a Quaest, o atual presidente conta com 75% de seus eleitores dizendo que sua escolha é definitiva, enquanto 76% dos eleitores do ex-presidente dizem a mesma coisa. Já entre os que preferem que nem Lula, nem Bolsonaro, são 69% que admitem mudar de voto caso algo aconteça.

Seria útil para Bolsonaro que Ciro crescesse nas intenções de voto para evitar uma fuga na reta final, mas sem, de fato, ameaçá-lo. Se Ciro receber bombons em casa, podem ser de Bolsonaro.