PUBLICIDADE
Topo

Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Má notícia para o streaming: o cancelamento de assinaturas veio para ficar

Logomarca e aplicativo do serviço de streaming Netflix, a líder do mercado no mundo - Dado Ruvic/Reuters
Logomarca e aplicativo do serviço de streaming Netflix, a líder do mercado no mundo Imagem: Dado Ruvic/Reuters
Conteúdo exclusivo para assinantes
Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

31/03/2022 07h01

Esta é parte da versão online da edição desta quarta-feira (02/03) da newsletter de Mauricio Stycer. Para assinar o boletim e ter acesso ao conteúdo completo, clique aqui.

Muitos preveem que este momento atual de concorrência exacerbada entre plataformas de streaming não vai durar para sempre. Empresas vão se fundir, algumas vão sair do mercado e outras vão mudar o foco de sua atuação.

Esse excesso de ofertas, se por um lado até confunde, por outro é ótimo para o assinante. Digo isso pensando nas possibilidades que abre para quem tem interesse e paciência de pesquisar onde estão os melhores conteúdos e os melhores preços ao seu alcance. Essa combinação é determinante na escolha.

Para atrair novos assinantes, as plataformas têm feito ofertas atraentes, incluindo o que chamam de "degustação", ou seja, a possibilidade de experimentar o serviço por um tempo determinado (um mês ou mais) pagando um preço especial. Para provar que estas ofertas são para valer, os serviços de streaming não colocam dificuldades para quem deseja cancelar a assinatura após a experiência.

E é aí que mora o perigo. Ou melhor, o problema para as plataformas. As taxas de cancelamento são enormes. De acordo com uma pesquisa da consultoria Deloitte divulgada esta semana, a taxa de cancelamento de serviços de streaming nos EUA permanece constante em 37%. Em países como Reino Unido, Alemanha e Japão está em cerca de 30%.

"A notícia é que o cancelamento veio para ficar", disse Jana Arbanas, vice-presidente da Deloitte ao site "Hollywood Reporter" nesta terça-feira (29). "As empresas de streaming terão que lidar com essa volatilidade consistente dos assinantes".

Talvez o dado da pesquisa mais preocupante para as empresas seja a constatação de que mais da metade dos jovens adicionou e cancelou um serviço de streaming nos últimos seis meses. Isso sinaliza a maior intimidade das novas gerações com o universo digital e a maior facilidade em navegar pelas plataformas.

Há duas semanas, trouxe nesta newsletter uma entrevista com Gustavo Grossman, chefe de entretenimento geral da WarnerMedia na América Latina. Um dos assuntos da entrevista foi a resistência da HBO Max, serviço de streaming do conglomerado, em colocar séries originais inteiras, de uma só vez, na plataforma.

A resposta de Grossman, embora não mencione diretamente o problema do cancelamento, trata indiretamente do assunto: "Há algumas (séries) que podemos fazer isso; outras não. É uma questão de negócios. Se você solta tudo em um dia, você pode assistir muito conteúdo em um dia, uma semana, um mês. E paga por apenas um mês", disse.

Como diz Jana Arbanas, "inscrever-se e acessar algo e depois cancelá-lo e reativá-lo não é assustador para eles (os mais jovens) da maneira que é para outras gerações". A executiva acrescenta: "Eu certamente posso pensar em minha mãe, que teria dificuldade em navegar nisso, enquanto meu filho está feliz em fazer isso e gerenciar seu portfólio de uma maneira que ele possa obter o conteúdo que deseja".

Pra lembrar

Pantanal  - Reprodução/TV Globo - Reprodução/TV Globo
Irandhir Santos (Joventino) e Renato Góes (José Leôncio) em "Pantanal"
Imagem: Reprodução/TV Globo

A Globo investiu pesado não apenas na produção como na promoção de "Pantanal". O capítulo de estreia foi de encher os olhos - e os números de audiência corresponderam. O remake da saga criada por Benedito Ruy Barbosa registrou 28 pontos (com 44% dos aparelhos ligados na novela) em São Paulo, um crescimento de 22% na comparação com a média da faixa nas quatro segundas-feiras anteriores. No Rio, a estreia registrou 32 pontos (e 48% de share), um crescimento de 19% em relação à média das quatro segundas-feiras anteriores. São os melhores índices da Globo desde o último capítulo da reprise de "Império", em 5 de novembro de 2021. A estreia de "Pantanal" também superou com folga a de "Um Lugar ao Sol", em 8 de novembro do ano passado (25 pontos em São Paulo e 27 no Rio).

Pra esquecer

Smith Rock - Reprodução / Internet - Reprodução / Internet
Will Smith deu um tapa em Chris Rock durante a cerimônia do Oscar
Imagem: Reprodução / Internet

Pela primeira vez, um filme de uma plataforma de streaming foi escolhido como o melhor do ano pelo Oscar. Lançado no Festival de Sundance, "No Ritmo do Coração" foi adquirido pela Apple por cerca de US$ 25 milhões (ou R$ 125 milhões). Mas, infelizmente, esta novidade importante, que sinaliza novos rumos para a indústria cinematográfica, ficou em segundo plano. Foi ofuscada pelo tapa que Will Smith deu no comediante Chris Rock, em resposta a uma piada de mau gosto sobre a mulher do ator. Foi um momento lamentável, que terminou no dia seguinte com um pedido de desculpas de Smith. Como disse Stephen Colbert, a melhor maneira de enfrentar uma piada ruim é não rindo; para o humorista, isso dói mais que um soco.

A frase

Galvão - Reprodução / Internet - Reprodução / Internet
O narrador Galvão Bueno, que vai deixar a Globo no final de 2022
Imagem: Reprodução / Internet

"Eu me realizei como profissional nesses 41 anos na Globo. Foram emoções fortíssimas. Estarei com a seleção brasileira e com o futebol até o dia 18 de dezembro. Depois, vira-se uma página e o livro continua. Pretendo mergulhar de cabeça no mundo digital, estamos falando sobre possibilidades em outras plataformas. A Globo é minha casa"
Galvão Bueno comenta o anúncio da Globo de que não renovará o contrato com o narrador

LEIA MAIS NA NEWSLETTER, incluindo uma seleção de links de leitura recomendados por mim.

Assinante UOL tem acesso a todos os conteúdos exclusivos do site, newsletters, blogs e colunas, dicas de investimentos e mais. Para assinar a newsletter de Mauricio Stycer e conhecer nossos outros boletins de jornalistas e personalidades, clique aqui.