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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Petistas reclamam, mas JN foi quem melhor noticiou vitória de Lula na ONU

William Bonner apresentou no JN o noticiário sobre a conclusão de um comitê da ONU que a Lava Jato violou direito políticos de Lula e que Moro foi parcial - Reprodução/ TV Globo/ Globoplay
William Bonner apresentou no JN o noticiário sobre a conclusão de um comitê da ONU que a Lava Jato violou direito políticos de Lula e que Moro foi parcial Imagem: Reprodução/ TV Globo/ Globoplay
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

29/04/2022 00h24

A notícia de que o Comitê de Direitos Humanos da ONU considerou que o ex-presidente Lula teve seus direitos políticos violados em 2018 e que sua proibição de concorrer às eleições naquele ano foi "arbitrária" teve enorme repercussão no Brasil.

A informação, antecipada na quarta-feira (27) pelo jornalista Jamil Chade, no UOL, foi confirmada oficialmente nesta quinta-feira (28). Neste intervalo de tempo, a notícia gerou muitas reações nas redes sociais contra a Globo, acusada por petistas de pesar a mão no noticiário contra Lula e a favor do juiz Sérgio Moro e da Operação Lava Jato durante anos.

Curiosamente, foi o "Jornal Nacional", da Globo, quem melhor noticiou a vitória de Lula na ONU. O telejornal produziu uma reportagem de 6 minutos e 20 segundos sobre o assunto nesta quinta-feira. De Genebra, na Suíça, onde fica o Comitê de Direitos Humanos da ONU, a repórter Bianca Rothier reproduziu vários trechos da decisão, que sublinham erros cometidos pela Lava Jato e por Moro, com a consequência de violarem direitos de Lula.

A jornalista observou que a decisão tem um valor, sobretudo, "simbólico", pois não tem poder de obrigar o governo brasileiro a tomar nenhuma atitude. Detalhou que o comitê é formado por 18 especialistas independentes de várias partes do mundo, mas que não atuam em nome de seus países; apenas dois não endossaram a íntegra das conclusões do documento.

O JN ainda deu espaço para o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, que classificou a decisão como "histórica". O ex-juiz Sergio Moro teve direito a 45 segundos, para reiterar a sua visão de que agiu corretamente e nunca perseguiu Lula. Os procuradores da Lava Jato não quiseram comentar.

O "Jornal da Band" tratou do assunto ainda na quarta-feira, numa nota rápida de 28 segundos. O "SBT Brasil" ignorou o assunto.

O "Jornal da Record", nesta quinta, noticiou o caso no meio de uma reportagem sobre a agenda do presidente Jair Bolsonaro. "Nos bastidores, o presidente reagiu com indignação à decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU, que concluiu que o ex-presidente Lula sofreu violações durante a operação Lava Jato", disse o repórter Thiago Nolasco. "O comitê quer que o governo brasileiro apresente uma reparação ao ex-presidente. O país não é obrigado a acatar a sugestão", acrescentou. Nolasco também leu uma nota do ex-juiz Moro, mas não disse o que Lula ou seus advogados comentaram a respeito.